Dos andares de cima, fumaça ainda saía pelas janelas enegrecidas pelo fogo, mesmo que ele tivesse sido controlado há quase 40 horas. Segundo o Corpo de Bombeiros, o papel ainda é combustível para pequenos focos de incêndio que precisam sempre ser controlados para que não se alastrem. No asfalto, pedaços de concreto e estilhaços de vidro davam indícios da dimensão do estrago. Do prédio de 14 andares, apenas os sete primeiros pareciam reconhecíveis. O imponente edifício da Receita Federal, localizado na rua Gaspar Viana, em Belém, atraía olhares curiosos. Pessoas registravam com as câmeras de seus celulares uma tragédia que, por ora, permanecerá sem explicação.
Ontem pela manhã, um grupo de 15 homens do Corpo de Bombeiros fazia trabalhos de perícia, prevenção e vistoria no prédio. Três técnicos da Polícia Federal também estavam no local para elaborar um segundo laudo. Durante a ação, a sustentação das janelas foi retirada pelos bombeiros para evitar riscos de acidentes para os pedestres. Pedestres como Rita Pamplona, 52 anos, corretora, que preferiu evitar passar na calçada do prédio e comentou: “Tá muito feio. De repente dá um vento forte e esse negócio todo desaba... Eu acho perigoso”, disse.
Já Juracyr Moraes, 44 anos, prestador de serviços gerais, não temia que o edifício viesse abaixo. Apenas lamentava. Como passava por perto, resolveu ir até o local apenas para testemunhar o que já havia visto no jornal e na televisão. “Eu acho isso uma pena, né? Um prédio antigo desse, patrimônio histórico, ficar dessa maneira... É muito prejuízo”, opina.
Uma das prováveis causas do incêndio, que começou na noite de domingo para segunda, seriam oscilações na rede elétrica da Receita Federal, conforme relatos de um vigilante do prédio. Hipótese que o eletricista Djalma Gomes, 42 anos, considera provável. “Um incêndio não começa assim, do nada”, diz. De passagem pelas proximidades do local, Djalma olhava para o edifício e lembrava um estrago que não era tão aparente. “É uma fatalidade muito grande. O prejuízo é maior pra gente, que é cidadão e paga imposto. Tem nosso dinheiro aí”, completa.
Acidental ou criminoso, onde começou o fogo e por onde ele se alastrou apenas o laudo da perícia técnica do Corpo de Bombeiros poderá revelar. O trabalho no local deverá se estender pelas próximas semanas e a previsão é de que o parecer final saia em até um mês.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar