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Tabagismo é uma doença e precisa de tratamento

Na casa de Nilvania Alves da Rocha, 40 anos, é lei. Fumante há mais de 12 anos, a erveira da feira do Ver-o-Peso não resiste à vontade e se rende ao cigarro logo nas primeiras horas do dia. “Não tem escapatória, o primeiro cigarro é aceso na hora que leva

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Na casa de Nilvania Alves da Rocha, 40 anos, é lei. Fumante há mais de 12 anos, a erveira da feira do Ver-o-Peso não resiste à vontade e se rende ao cigarro logo nas primeiras horas do dia. “Não tem escapatória, o primeiro cigarro é aceso na hora que levanto. É um gole de café e uma tragada. Um chama o outro”, admite um tanto envergonhada a vendedora que chega a consumir um maço e meio de cigarros por dia.

Nem por moda, nem por pressão das amizades, Nilvania diz que começou a fumar para livrar-se da solidão. A beira dos 30 anos, mesmo morando com a família, ela se sentia ansiosa e encontrou no cigarro uma companhia que agora cobra caro. “Eu me sentia muito só e comecei a fumar pra controlar isso. Eu me sinto mais tranquila quando fumo, mas quero parar porque de resto não é bom. Além do cansaço que chega rápido ao menor esforço, quase não sinto mais o cheiro das coisas, só do cigarro”, reclama a fumante, que em uma das várias tentativas para abandonar o vício, ficou 20 dias sem cigarros. “Vou tentar de novo e vou conseguir. Já me informei e vou procurar ajuda”, disse a erveira, enquanto fumava aquele que seria seu ‘último’ cigarro.

Para convencer Nilvania e outros fumantes paraenses a abandonar o vício, a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sespa) aproveitou o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado ontem, para promover uma ação de mobilização no mais famoso cartão postal da capital paraense, o mercado do Ver-o-Peso. Com o tema “Fumar: faz mal para você. Faz mal para o planeta”, o evento reuniu teatro, panfletagem, avaliação de espirometria (que mede o nível do monóxido de carbono no organismo de fumantes e não fumantes), testes de dependência do tabaco e a divulgação dos centros de tratamento oferecidos gratuitamente para a população.

PERIGO

Com medo do perigo, o pedreiro Catarino Silva, 56 anos, há um ano e cinco meses resolveu largar o vício, mas antes precisou ver a mãe perder a vida para um enfisema pulmonar. “Sou filho de uma família de fumantes, fumei por 42 anos e, quando a minha mãe faleceu, as filhas me cobraram muito para eu deixar o cigarro. Ainda demorei um tempo, mas larguei e não me arrependo, só ganhei em qualidade de vida”, comemora o ex fumante que nas horas vagas é cantor.

“Fiz uma música que fala sobre o cigarro. É chato ficar falando para largar de fumar, mas falo por experiência. Hoje jogo bola, faço tênis, dança de salão. Chego e saio cheiroso. É isso que quero mostrar pras pessoas, a beleza de não ser fumante. Com a música, três amigos já deixaram de fumar”, comemora seu Catarino, que fez questão de medir o nível de monóxido de carbono nos pulmões e não se surpreendeu. “Acusou 1.01. Um resultado de não fumante, depois de tanto tempo fumando o senhor está realmente de parabéns”, ouviu da atendente, o pedreiro.

(Diário do Pará)

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