O bancário Igor David Sousa, 32 anos, mora num condomínio residencial na BR-316. Sai diariamente de casa às 7h15 em direção ao banco onde trabalha em São Brás. Em condições normais esse trajeto poderia ser cumprido em meia hora, no máximo. “Ocorre que demoro, em média, 1h15 para chegar ao banco, podendo chegar em até 1h e 40 de carro”, afirma.
O exemplo de Igor revela uma realidade vivida há muito tempo pelos moradores da região metropolitana: andar de transporte público, dirigir ou simplesmente trafegar em ruas e calçadas em Belém vem se tornando uma tarefa cada vez mais difícil. E perigosa.
O aumento de carros e ônibus nas vias, engarrafamentos intermináveis e acidentes cotidianos transformaram o transporte e o trânsito em nossa cidade numa situação de quase calamidade pública. “Quem mora e estuda fora da capital e precisa se deslocar passa um verdadeiro martírio para se locomover diariamente e o pior é que não enxergo melhorias a médio prazo”, critica.
As estatísticas da capital referentes a 2011 refletem essa situação: apenas em Belém aconteceram 8.032 acidentes no trânsito (6.470 colisões de veículos), resultando em 3.324 feridos e 98 mortos. O total de pedestres vitimados no ano passado chegou a 467, totalizando 33 mortos. Até julho passado a frota de automóveis na capital era de 188.220 carros (56,86%), 72.462 motocicletas (21,89%), 21.829 caminhonetes (6,59%) e 3.215 ônibus (0,97%).
O arquiteto e urbanista, Paulo Ribeiro, especialista em transportes, diz que a questão do trânsito deve ser debatida de forma mais ampla sob o aspecto da mobilidade, que implica em vários aspectos, sejam sociais ou econômicos.
Ribeiro aponta que a solução para o trânsito em Belém passa pela reestruturação do sistema de transporte público que, segundo ele, se mantém completamente obsoleto e com a mesma concepção operacional desde quando se iniciou o transporte de passageiros, baseado em linhas bairro-centro. “Hoje a região metropolitana assumiu outro contexto e as ligações bairro-centro, que são as vias, não têm mais capacidade para esse volume. Hoje o sistema de transporte público é extremamente precário em termos de oferta na periferia e excessivo no centro”.
Como não há mais espaço para oferta de linhas na periferia, os moradores dessas regiões ficam penalizados, já que novas ocupações sempre vão surgindo. “Hoje grande parte dos ônibus de Ananindeua já retornam do Entroncamento, fazendo com que o usuário tenha que pegar outro coletivo para ir ao centro. Só mudando essa concepção, implantando um sistema integrado, resolveria essa situação”, explica.
BRT
No início do primeiro semestre a prefeitura de Belém iniciou as obras da primeira etapa do (Bus Rapid Transit (BRT) em Belém, ao custo de R$ 380 milhões. O projeto foi unificado ao Ação Metrópole, do governo do Estado. Os recursos para o trecho sob responsabilidade da prefeitura viriam dos cofres do município e também do governo federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a mobilidade.
Para a professora doutora Maisa Sales Tobias, engenheira de Transportes da Universidade Federal do Pará, a falta de investimentos no sistema de transporte público metropolitano e de entendimento político sobre a questão, aliado à falta de projetos, prejudicam sensivelmente a mobilidade na RMB. “O que temos é um apagar de incêndio, com medidas operacionais de gerenciamento de conflitos.
A decisão tem que ser conjunta, envolvendo todos os municípios, com tratamento igual e respeito às autonomias e direito de voz a todos, já que parte do problema do trânsito é metropolitano e não localizado”, afirma.
Marilena Marques Mácola, diretora executiva do Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano (GNTM), responsável pela execução do projeto, explica que Ação Metrópole possui todas as características e princípios de um Sistema BRT, que contempla um estudo detalhado da localização dos terminais de integração, da localização das estações de integração, de pontos de parada, entre outros critérios. “Com a implantação do Ação Metrópole, esse tempo de trajeto será reduzido significativamente”, assegura.
O quê os candidatos propõem como solução? ALFREDO COSTA (PT) “Vamos retomar o Ação Metrópole do governo do PT, com responsabilidade. Propomos a criação e implantação de um órgão gestor metropolitano, com ação colegiada envolvendo todos os municípios beneficiados pelo projeto e a concepção de um modelo de gestão do sistema sob a forma de um Consórcio Público. Essa solução foi elogiada tanto pela JICA como pelo Governo Federal. Vamos dar continuidade ao BRT, de forma integrada. A Presidenta Dilma, que é do PT, investiu 720 milhões para ajudar a concluir o BRT no menor espaço de tempo e com o uso do Bilhete Único ao longo do trajeto. Mas a nossa proposta vai além do BRT. Inclui a integração com outros sistemas de transportes. Prolongar o Ação Metrópole até a Alça Viária, articulando uma ação metropolitana. Vamos construir três elevados: um na Augusto Montenegro com a Av. Centenário, na Rod. Augusto Montenegro com Mário Covas, e na Duque com Dr. Freitas; implantar o bilhete único integrado; vamos implantar o sistema de transporte multimodal: rodoviário, fluvial e aerobus (veículo leve sobre trilhos suspensos); garantir a renovação da frota de veículos coletivos; assegurar que toda a frota coletiva seja dotada de ar condicionado; garantir ciclovias”. “Na nossa gestão, estamos implantando o BRT, que fará revolução no trânsito, melhorando a qualidade do transporte e vida das pessoas, que não enfrentarão mais congestionamentos. Isso porque o BRT é rápido, com faixa de circulação exclusiva e tempo reduzido de espera. Serão paradas climatizadas e semáforos sincronizados do centro a Icoaraci. O sistema está em 80 cidades no mundo. No Brasil, funciona com sucesso em Curitiba e RJ. Há anos Belém precisava de obra como essa, mas somente na gestão Duciomar está se transformando em realidade. Vamos concluir também a avenida Portal da Amazônia até a UFPA; duplicar a Bernardo Sayão; Perimetral até Dr. Freitas viabilizando o anel viário de Belém; concluir a João Paulo II até Ananindeua; continuar calçadas Cidadãs; ampliar ciclovias; abrir novas vias; construção de terminal de cargas; integração dos modais de transporte público urbano; construção de mais avenidas parques; e interligação Belém/Mosqueiro via Outeiro, com construção do grande anel viário”. “Milhares de carros particulares foram incluídos no sistema viário de Belém nas últimas décadas, sem que fosse construída qualquer estrutura de mobilidade. Além disso, temos a falta de gerenciamento, o desperdício econômico pelas horas paradas no trânsito e o comprometimento da saúde da população com a emissão e concentração de dióxido e monóxido de carbono no meio ambiente. Nosso governo propõe a mobilidade sustentável, reconhecendo a interdependência entre o transporte, a saúde, o ambiente e o direito à cidade, através de sistema de transporte público de qualidade, envolvendo Belém e área metropolitana, criando terminais de integração. Também proporemos programas especiais para disciplinar o uso do transporte público e particular; abertura de novas vias e duplicação da Rodovia Artur Bernardes, Rodovia do Tapanã e Avenida Perimetral; alocação de recursos para a construção da ponte Outeiro-Mosqueiro; conclusão da Avenida João Paulo II; desenvolvimento de programas de incentivo ao transporte fluvial”. EDMILSON RODRIGUES (PSOL) “A mobilidade urbana precisa ser humanizada. Haverá mais sinalização, iluminação pública, ações de educação e prevenção e fiscalização do trânsito. Também vamos construir vias, fazer pavimentação com drenagem nas principais vias e pavimentação com blocos de concreto nas vias secundárias. Darei continuidade ao BRT, pois não desperdiçaremos recursos públicos. Concluirei a obra, mesmo que precise ajustar o projeto para evitar irregularidades e garantir mais transparência. Também vamos quebrar os monopólios de empresas para itinerários exclusivos, em que a maioria da população não tem acesso. Vamos incentivar o transporte fluvial e construir uma rede de ciclovias, a fim de estimular o uso de outros meios de locomoção além do rodoviário”. “Aperfeiçoar o serviço de atendimento aos usuários de transporte coletivo; implantar o projeto “Trânsito para o Cidadão”; instalar sistema eletrônico de monitoramento para efetivo controle operacional da frota do transporte coletivo; implantar, de forma gradativa, o uso de combustíveis limpos na frota de ônibus do município; concluir o BRT e buscar novas alternativas para a circulação de carros em Belém; aprimorar os serviços de táxi, de transporte de escolares e de fretamento; modernizar e intensificar os serviços de manutenção e implantar sinalização viária horizontal, vertical e semafórica; aprimorar programa permanente de educação para o trânsito voltado para crianças em idade escolar e adultos em geral, ou seja, pedestres, condutores e passageiros; criar e implantar programa de segurança para o pedestre, inclusive no entorno das escolas; estabelecer parceria com a iniciativa para aprimoramento da malha rodoviária e aproveitamento da malha hidrográfica do município como mecanismo de melhoria do trânsito no município”. “Acredito em soluções integradas para enfrentar os problemas do transporte e do trânsito de Belém e da Região Metropolitana. Por isso, farei parceria com o Governo Jatene para a implantação do Plano Via Metrópole, que prevê melhorias nos principais eixos viários de Belém. Em 2011, quando fui relator do Orçamento do Governo Dilma, consegui R$ 67,4 milhões para Governo Jatene continuar a construção da Rodovia Independência, que ligará o complexo viário da Avenida Júlio Cesar à BR-316/Alça Viária, criando, assim, nova rota para entrar ou sair de Belém sem passar pelo Entroncamento. Concluirei o BRT e construirei os pontos de integração ao BRT. Ele reorganizará as linhas de ônibus para atender os pontos de integração e as áreas da cidade mal servidas por ônibus. O transporte alternativo feito por vans, kombis e mototaxistas será regularizado. O crescimento do transporte alternativo será limitado para preservar as vagas dos profissionais que já prestam os serviços.” “Promover estudos para ofertar serviço de transporte público de massa, rápido e de qualidade, a exemplo de metrô e monotrilho; reestruturar as linhas de transporte coletivo, visando maior racionalização, eficiência e eficácia no atendimento aos usuários, em especial nos horários de pico.; articular a integração física, operacional e tarifária do transporte coletivo urbano com o transporte público metropolitano; garantir treinamento continuado para os trabalhadores que operam no transporte coletivo, buscando melhor atendimento da população usuária; revitalizar e instalar novos pontos de ônibus, para ofertar conforto aos usuários; realizar uma política tarifária socialmente justa; implantar ciclofaixas, ciclovias e bicicletários; aprimorar e intensificar os serviços de manutenção das vias e implantar sinalização viária horizontal, vertical e semafórica; e garantir acessibilidade nos sistemas de transportes, equipamentos urbanos e circulação em áreas públicas”. “Aplicar o selo de qualidade dos transportes públicos; legalizar e capacitar os moto-taxistas de Belém para o turismo; viabilizar e legalizar a locação dos transportes alternativos; incentivar a população no uso de bicicletas como meio de transporte; investir em transporte náutico para o turismo; dar continuidade do BRT; construção de mais ciclovias; construção de elevados na Júlio César com Almirante Barroso, Almirante Barroso com José Bonifácio, Independência com Augusto Montenegro; construção de novas passarelas na cidade; alargamento, pavimentação asfáltica da João Paulo II, Yamada e rodovia do Tapanã; abertura de uma nova avenida da estrada da Ceasa até Ananindeua; transformação do Terminal Rodoviário em Estação Central de Transporte Coletivo; criar a Estação Central Rodoviária Metrópole com quatro andares em Benevides (Reintegração da Metrópole); criar uma estação de cargas e descargas pesadas em Benevides, para diminuir o acesso de veículos longos e pesados em Belém”. SÉRGIOPIMENTEL (PSL) “O trânsito de Belém precisa ser organizado por meio de ações que melhorem seu desempenho, tais como sinalização horizontal e vertical em toda a cidade, semáforos inteligentes priorizando o transporte coletivo, utilização de painéis eletrônicos com mensagens informativas que indiquem as melhores rotas e as ruas que estão engarrafadas, regulamentação dos transportes alternativos, regulamentação de estacionamentos do centro e das principais vias de escoamento da cidade, implantação de linha expressa ligando Belém a partir da Estrada da Ceasa até Ananindeua, além de melhoria da frota de ônibus e implantação do bilhete único”. “O sistema de transporte coletivo de Belém, a partir da implantação do BRT, vai ser radicalmente modificado, com a redefinição de linhas que serão circulares nos bairros e com qualidade exigida pela nossa administração. A obra do BRT é uma obra importante e necessária, mas que foi iniciada sem as devidas medidas para evitar o transtorno aos cidadãos. Me refiro a ampliação da avenidas João Paulo II e Independência, necessárias para garantir o tráfego de veículos. O Governo do Estado vai executar essas obras a partir do segundo semestre. A minha expectativa é de que possamos na prefeitura, sem tantos transtornos, concluir as obras. Vamos implantar o Plano Hidroviário de Transporte para a carga de passageiros, vamos fazer a reavaliação e adequação dos portos e estações de embarque, além de transformar o terminal rodoviário em terminal de integração”. |
(Diário do Pará)
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