Durante audiência pública realizada na manhã da última quarta-feira (29), na Comarca de Marabá, ficou definido, que ainda este ano, deve acontecer nove reintegrações de posse em fazendas do sudeste paraense. Boa parte destas propriedades está ocupada há alguns anos.
A audiência conciliatória conduzida pelo juiz da Vara Agrária Regional, Jonas da Conceição Silva faz parte do rito processual e tinha como meta tentar convencer os sem-terra a saírem das propriedades sem que a força policial fosse aplicada.
Das onze fazendas que estavam na pauta da Audiência foi possível haver conciliação em duas propriedades, o que o juiz considerou um feito interessante, sobretudo pelo desfecho da negociação. A pecuarista Norma de Oliveira, dona da fazenda Morro Vermelho, em Eldorado do Carajás, aceitou fazer, por conta própria, uma reforma agrária, pois se dispôs em vender lotes rurais para os sem-terra que ocupam a propriedade há mais de uma década.
O outro desfecho amigável aconteceu na fazenda Barreira Branca, em Marabá, do empresário Eduardo Barbosa. Os sem-terra aceitaram sair pacificamente da propriedade, tendo em vista que o dono demonstrou que não ter interesse em desapropriar a fazenda para fins de reforma agrária. Nesta mesma propriedade, às vésperas do feriado de Corpus Christi do ano passado, um grupo invadiu a sede da fazenda, reviraram toda a propriedade, mantiveram vários funcionários em cárcere privado e, por conta dos atos de vandalismo ,57 posseiros foram presos.
Nas demais propriedades, os militares do Comando de Missões Especiais (CME), comandados pelo coronel Lázaro Saraiva deve auxiliar a Justiça para retirar os sem-terra.
O cronograma dos cumprimentos ainda não está devidamente fechado, pois depende de organização dos policiais, contudo o juiz Jonas Silva acredita que ainda este ano todas as propriedades devem ser devolvidas aos respectivos donos.
Ele lembrou, porém, que toda cautela e prudência necessária devem ser aplicadas no cumprimento das liminares a fim de se evitar eventuais conflitos entre militares e sem-terra. Se por um lado, os pecuaristas comemoram os despejos, por outro, entidades que militam na luta pela posse da terra, como a CPT, temem o caos que deve se instalar na região, tendo em vista que pelo menos 4 mil sem-terra que devem ser despejados.
Serão reintegradas as fazendas Peruano, Fortaleza, Novo Pará, Sítio Itacaiúnas, Amazônia, São Jorge, Couraça, Nazaré dos Patos e Primavera.
(Diário do Pará)
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