Encerra, hoje, a programação da I Feira Cultural da Escola José Alvares de Azevedo, que desde ontem abriu as portas para mostrar à sociedade os projetos de ressocialização e reabilitação com os alunos cegos. Apresentação de artesanato feito por alunos deficientes visuais, Boi Bumbá e a exposição de um coral formado por cegos está entre a programação do dia, que conta também com um ciclo de palestras de incentivo a inclusão social e como lidar com pessoas que tem baixa visão ou que até mesmo não podem enxergar.
A instituição foi a segunda “Escola de Cegos” a ser fundada no Brasil e, atualmente, atende aproximadamente 500 deficientes visuais de todas as faixas etárias.
A partir do tema “Popularizando Nossos Saberes”, a coordenadora pedagógica da Escola Alvares de Azevedo, Aline Guedes, ressalta que as matrículas são feitas o ano inteiro. “A instituição não funciona como uma escola regular, mas nós auxiliamos os nossos alunos a estudarem e se tornarem independentes”, disse.
As atividades são apresentadas e feitas pelos próprios alunos cegos. “Eles é que vão cantar, dançar, expor e palestrar”, frisou Aline. Deficiente visual desde 2006, Margareth Almeida participa da Feira Cultural expondo uma amostra do artesanato que ela mesma produz.
No geral, são biojoias e roupas customizadas que aprendeu a fazer quando participou de oficinas na Fundação Curro Velho. “Eu não faço nada para vender, faço apenas para uso pessoal porque gosto de andar elegante e bem vestida”, comentou. Hoje Maragareth vai participar da apresentação do coral.
Questionada se sente limitada a produzir as peças, imediatamente responde que não e diz que as dificuldades encontradas se resumem a falta de infraestrutura urbana de Belém. “As calçadas são esburacadas e os ônibus, mesmo os que são adaptados para deficientes, não são seguros para quem tem deficiência visual”, criticou.
O aluno Dionilson Moraes, 37, também fez críticas a infraestrutura urbana de Belém, que não tem espaço adaptados para os deficientes visuais. No entanto, a sua participação na Feira Cultural será para mostrar que uma pessoa cega ou que tenha baixa visão pode fazer o que quiser, sem que as dificuldades sejam barreiras.
(Diário do Pará)
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