A pressão social surgiu efeito e os planos de votação do projeto que altera o gabarito de construções em parte dos bairros do Souza e Entroncamento foram novamente adiados. Ontem, logo no início da sessão ordinária da Câmara Municipal, representantes de organizações não governamentais e movimentos civis ocuparam os lugares das galerias e acompanharam todas as discussões. Com um abaixo-assinado em mãos, eles aguardavam a oportunidade de entregá-lo ao presidente da Casa, Raimundo Castro (PTB), a fim de pressionar pela rejeição majoritária da proposta.
Quando Castro leu o documento, contudo, Gervásio Morgado (PR), autor do projeto polêmico, se exaltou. “Essas ONGs não servem pra nada, é tudo enrolação. Esse abaixo-assinado não tem valor algum”, disse.
Com clima desfavorável, Gervásio, que presidia a sessão optou por encerrá-la rapidamente, por falta de quórum. Alguns vereadores não registraram presença, resultando em menos de 18 nomes no painel eletrônico.
Segundo José Francisco, representado do Fórum Metropolitano de Belém, a intenção dos movimentos sociais não é definir o que será votado ou não na CMB, mas pressionar os vereadores por votos mais conscientes. “A nossa presença causa certo incômodo em quem estava pensando em negociar seu voto. Alguns parlamentares já se mostraram contrários ao projeto, mas ainda há aqueles sobre os quais precisamos utilizar a estratégia do desgaste mesmo”, cita. Por isso, o grupo já decidiu visitar todos os gabinetes dos vereadores na próxima terça-feira para conversar individualmente com eles, mostrando todas as possíveis consequências negativas da mudança.
Para o presidente da Casa, o abaixo-assinado, enquanto manifestação popular democrática, deve influenciar a votação. “A maioria dos líderes já se manifestaram contrários à proposta e acho que com a cobrança popular a aprovação se torna quase inviável”, disse Castro.
(Diário do Pará)
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