Cerca de mil trabalhadores da construção civil se uniram ontem em uma grande caminhada para protestar por melhores condições salariais. Eles se concentraram em diversos pontos da cidade e seguiram em direção ao Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscon-Pa), na travessa Quintino Bocaiúva, bairro de Nazaré.
Após meia hora de caminhada, eles chegaram em frente à sede do Sinduscon-Pa, onde solicitaram uma reunião com a patronal. Por volta de 12h, uma comissão de trabalhadores foi recebida. A conversa durou cerca de vinte minutos e a comissão retornou para informar que a negociação não tinha avançado. Os trabalhadores seguem em greve por tempo indeterminado.
Logo no início da manhã de ontem, diversos canteiros de obras da cidade foram paralisados. “Estamos com, aproximadamente, 90% das obras paradas em Belém, Ananindeua e Marituba”, disse Atenágoras Lopes, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil. Existem cerca de 400 canteiros de obras na Região Metropolitana de Belém.
Os trabalhadores reivindicam o reajuste no valor do salário dos profissionais. Para os que trabalham como pedreiros, carpinteiros ou pintores, a categoria pede um aumento dos atuais R$ 900,00 para R$ 1.120,00. Para os serventes, que trabalham como ajudantes de pedreiros, o salário passaria de R$650 para R$780. Além dos reajustes, a categoria também pede o direito a uma cesta básica mensal, no valor de R$ 100,00. Atualmente, os trabalhadores não recebem o benefício.
PISTA FECHADA
Na rodovia Augusto Montenegro, quase na esquina com a Avenida Independência, operários se reuniam desde cedo em frente a um loteamento residencial em construção. A Augusto Montenegro, no sentido Icoaraci – Belém, permaneceu com trânsito lento até por volta de nove e meia. Foi nesse momento que os grevistas decidiram fechar o cruzamento com a avenida Independência para realizar uma assembleia. Durante cerca de meia hora, a pista ficou completamente fechada.
O engarrafamento que se formou provocou impaciência. O motorista de um caminhão avançou sobre os manifestantes que o impediam de passar. Alguns motoristas de ônibus decidiram descer dos veículos e esperar. Homens da PM acompanhavam a manifestação. Não houve confrontos ou desentendimentos com trabalhadores que preferiram não acatar a greve. Hoje, os grevistas prometem uma mobilização maior.
(Diário do Pará)
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