Fazer as compras do mês com uma quantia determinada já não significa carrinho cheio, ou até mesmo, que os habituais itens serão comprados. Com o crescente aumento da cesta básica, isto está cada vez mais difícil. De acordo com o Dieese-PA, de janeiro a agosto deste ano a alimentação básica aumentou mais de 8%, o equivalente a mais que o dobro da inflação. Entre os itens que mais subiram de preço durante esse período, está o feijão, com alta de 61,30%.
Por causa desses aumentos, o funcionário público Rogério Leão, 30 anos, tem substituído o feijão tipo cavalo por feijão preto. “Passei um tempo sem comprar esse, que acho mais gostoso. É que o preto é mais em conta”, afirma.
Para ele, que mora com a esposa e gasta aproximadamente R$ 300 com supermercado, as altas nos preços são constantes. “No geral o aumento é de 20%”, calcula. Como Rogério bem disse, não foi só o feijão que teve reajuste, o tomate apresentou aumento de 20,80%; em terceiro ligar no ranking está a manteiga, com acréscimo de 17,72%, seguida do óleo de cozinha, com alta de 17,16%.
Alguns produtos tiveram queda nos preços, como por exemplo, a carne bovina, com redução de 6,67%, seguida do açúcar, que passou a custar 5,78% a menos. Em agosto, a cesta básica custava R$ 262,33, o que corresponde 0,94% a mais em relação ao mês de julho, em que a mesma poderia ser adquirida a R$ 259,89. Segundo o Dieese, no mês passado o custo da cesta básica para uma família composta por dois adultos e duas crianças chegava a R$ 786,99.
A funcionária pública Ângela Quadros, 47 anos, gasta R$600 com alimentação na casa em que vive com mais três pessoas. “Procuro sempre escapar dos aumentos e compro o básico”, diz.
A pesquisa do Dieese indica ainda que para comprar os doze itens básicos da alimentação, o trabalhador paraense comprometeu em agosto, 46% do salário mínimo atual, tendo que trabalhar aproximadamente 92 horas e 47 minutos das 22 horas previstas em Lei.
No entanto, há quem não tenha percebido os aumentos. “Nem reparei, a gente vai pegando as coisas e nem presta atenção no preço”, afirma a doméstica Maria de Belém, 66 anos.
(Diário do Pará)
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