A cena já foi vista anteriormente em filmagens cinematográficas e os objetivos em fazê-la se diferenciam. Feita com embalagens de leite longa vida, a cápsula do tempo enterrada ontem pela Ong NOOLHAR, na Praça da República, no “Dia da Amazônia”, será reaberta daqui a 14 anos. Cartas, recortes, fotos e uma edição do DIÁRIO poderão ser revistas em 2026.
Adolescentes que integram o projeto “Ideias que transformam” redigiram mensagens de como querem ver Belém daqui a 14 anos. O período foi escolhido por indicar a transição que os jovens passarão. “Hoje eles estão com 17 anos e até lá, vão passar de coadjuvantes a gestores do município, estar na fase adulta e temos que prepará-los para um futuro melhor”, argumenta Marcos Wilson, coordenador da Ong NOOLHAR.
Entre os itens depositados estavam dados com o atual valor da passagem de ônibus, uma tabela de preços de combustível e índices de Belém como uma das piores cidades em saneamento básico. As esperanças de uma Amazônia preservada, de um país sustentável e de pessoas conscientes foram unanimidade entre os pedidos. “Espero que a população da Amazônia tenha consciência da importância que ela tem e que permita que até lá (2026) ela ainda exista”, comenta a estudante Flávia Karina Souza, 16 anos.
Pessoas que passavam pela Praça da República na tarde de ontem também foram convidadas a escrever o seu recado e depositar na cápsula. Em passeio por Belém há uma semana, o professor recifense Luciano Nunes, 50 anos, fez questão de participar. “Eu acho que nós não temos mais tempo para refletir sobre a situação do planeta e devemos participar de qualquer ação em prol dele”, acredita.
Quem também acredita ter deixado algo além de uma carta ou mero recorte de um tempo foi o estudante Filipe Ribeiro, 17 anos. “Depositei uma confiança”, enfatiza. Entre os pedidos e objetivos está a esperança de que o projeto que integra cresça e abranja mais adolescentes. “Também quero que as pessoas daqui possam dar mais valor à Amazônia, ao que é nosso. Gente do exterior sabe o que ela representa e nós não”.
O Procurador da República no Pará, Alan Mansur, e a coordenadora do comitê gestor Propaz, Izabela Jatene, enviaram a sua mensagem. Diversas pessoas assinaram a lista da campanha “Desmatamento Zero”, que a exemplo da “Lei da Ficha Limpa”, pretende reunir um milhão de assinaturas e exigir uma lei em prol de uma causa, neste caso, o desmatamento.
(Diário do Pará)
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