Mudar para as instalações do novo shopping da João Alfredo é algo que os ambulantes até desejam, mas acreditam ser improvável, pelo menos no prazo estipulado pela Prefeitura que pretende inaugurar o novo espaço ainda na primeira quinzena deste mês.
O shopping popular terá 142 boxes e alas extras com salão de beleza, cyber café, caixas eletrônicos, centro lotérico, farmácia popular e um restaurante popular gerenciado pelos vendedores de refeições do Comércio. Atrativos que levarão a clientela da rua para o interior do prédio, mas que não convencem os ambulantes. “Não é que a gente não queira sair da rua. É que a gente não vê o que tá no papel ser cumprido. O centro lotérico, por exemplo, é fundamental para chamar o freguês e depende de uma licitação de seis meses. Como é que a gente vai pra lá agora em setembro?”, questiona Luiz Otávio, vendedor de bolsas na João Alfredo há mais de 20 anos.
A preocupação é tamanha que fez os ambulantes organizarem a Comissão do Centro Comercial de Belém, há dois meses, quando os ambulantes deveriam ter mudado para o novo endereço. “A gente se organizou porque tava vendo que as coisas estavam erradas. Eles maquiaram os dois primeiros andares do prédio e os outros cinco ficaram abandonados. A fiação dá até medo de tão velha. Tanto que os bombeiros pediram adequação”, afirma Luiz Otávio, que preside a Comissão formada por cinco ambulantes.
Além das condições estruturais das instalações, o ambulante reclama ainda do aluguel que, segundo ele, os trabalhadores serão obrigados a pagar pelo espaço. Luiz diz que o valor de R$ 71 mil reais deverá ser divido pelos 142 ambulantes, o que resultaria em um gasto mensal de R$ 500. “A prefeitura tinha dito que haveria uma isenção de pagamento em quatro anos, e agora não haverá mais. O ambulante não paga a taxa de R$ 5 reais a associação, não vai pagar esse valor de aluguel”, diz.
Secon diz que está fazendo mudanças e nega aluguel
A Secretaria Municipal de Economia de Belém (Secon) foi procurada para tratar sobre o assunto e confirmar o pagamento de aluguel dos ambulantes pelo espaço. A assessoria de imprensa da Secon informou que o prazo para a entrega do novo espaço para os trabalhadores da João Alfredo é de aproximadamente pouco mais de um mês. É quando serão concluídos os últimos ajustes nos andares superiores do prédio, reivindicados pelos trabalhadores e também incluso no laudo expedido pelo Corpo de Bombeiros, que exigia as adaptações. Quanto ao suposto aluguel que poderia ser cobrado dos trabalhadores para ocuparem o prédio, a Secon informou que a informação não procede e que nada foi conversado sobre isso. A secretaria afirma que assim que forem concluídas as obras, o Corpo de Bombeiros retorna ao local para uma vistoria final e então serão entregues as chaves dos boxes aos feirantes remanejados para o local. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar