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Desfile militar atrai milhares de pessoas

Segundo a historiografia oficial, há 190 anos, às margens do riacho Ipiranga, o príncipe-regente Pedro de Alcântara e Bragança, Dom Pedro I, teria erguido sua espada e bradado: “Independência ou morte!”. O motivo era a revolta cada vez maior da opinião pú

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Segundo a historiografia oficial, há 190 anos, às margens do riacho Ipiranga, o príncipe-regente Pedro de Alcântara e Bragança, Dom Pedro I, teria erguido sua espada e bradado: “Independência ou morte!”. O motivo era a revolta cada vez maior da opinião pública em relação às políticas colonialistas portuguesas. Comemorado ontem (7), o dia da Independência é acompanhado por tradicional desfile militar em muitas cidades brasileiras. Em Belém, a programação especial lotou as calçadas ao longo da Avenida Presidente Vargas. Com bandeirinhas do Brasil, cata-ventos verde-e-amarelo e enfeites temáticos, centenas de pessoas disputavam espaço para apreciar o desfile das tropas que trabalham para garantir a soberania do país e do Estado.

Dilermando Guedes Cabral, 89, foi um dos seis veteranos que desfilou no carro dos ex-combatentes, que foram acompanhados pela banda de música do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA). Para ele, o Dia da Independência é uma data que merece reflexão a respeito de nosso papel como cidadãos. “Ser brasileiro é ter consciência da grandeza desse país e perceber que nós somos parte integrante dele. Nós influenciamos a economia mundial, temos muitas riquezas e um futuro brilhante. A geração atual poderá usufruir de um tempo promissor graças ao trabalho das gerações passadas”, completa.

Gerações como a de seu Dilermando e a de seu Oscar Manuel dos Santos, 90, que serviu o Exército durante três anos e participou da 2ª Guerra Mundial. “Eu me sinto muito feliz de ainda poder representar minha pátria. Nós temos que conservar a nossa dignidade”, resume seu Oscar, que conserva a juventude dos tempos de pracinha no espírito alegre.

Veículos utilizados em operações militares, como os da Tropa de Choque da Polícia Militar e uma lancha do Corpo de Bombeiros, foram exibidos. Juliana Assunção, 10, aprovou a ideia. “Eu achei bem legal. Eu nunca tinha visto antes, então foi uma surpresa pra mim. Eu gostei mais do Exército, da Marinha e dos Bombeiros”, conta a menina. O Policial Militar Cláudio Guerra, 42, não desfilou. Como muitos pais, ele aproveitou o feriado para levar os filhos para apreciar o desfile. “Eu trouxe eles pra reforçar o sentido do patriotismo. O mal do brasileiro é que a gente se desvaloriza e se sente inferior em relação aos outros países”, opina.

Agentes da CTBel, em parceria com o Detran, fecharam 17 pontos de acesso que levavam à Presidente Vargas durante a programação. A Polícia Militar deslocou um efetivo de 400 homens para garantir a segurança do público e das áreas no entorno. Cerca de 4.500 homens e mulheres de 70 tropas federais, estaduais, municipais e grupamentos não institucionais participaram do desfile. Duas tropas do Exército do Suriname e da Guiana, além de outra da Marinha francesa, também desfilaram.

O vice-governador, Helenílson Pontes, fez a tradicional revista da tropa e ressaltou a importância do desfile como uma forma de celebrar a democracia. O desfile foi tranquilo. Não houve confusões ou tumultos e as famílias puderam aproveitar a manhã sem grandes transtornos. O único imprevisto foi um acidente envolvendo um dos integrantes da Cavalaria da Polícia Militar que, literalmente, caiu do cavalo. O cavaleiro logo se levantou, mas o animal partiu disparada pela Avenida Presidente Vargas, chamando atenção do público.

Grito dos Excluídos foi contra Belo Monte

Na pele, as representações tradicionais dos povos da região. Nas mãos,cartazes e faixas pedindo mais direitos e reconhecimento aos movimentos sociais, às camadas menos favorecidas, aos excluídos. Esse foi o cenário de ontem pela manhã, em algumas ruas do bairro de Nazaré, em Belém, durante mais um “Grito dos Excluídos”. Aproximadamente 200 pessoas entre trabalhadores, estudantes, funcionários públicos, religiosos e indígenas caminharam com o tema ‘Em defesa da Amazônia e seus Povos’. O ato tem participação do Comitê Xingu Vivo, que luta contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira. O movimento já existe há 18 anos e foi criado pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), sendo realizado também em várias capitais do país.

Os manifestantes partiram da Praça Santuário, no bairro de Nazaré, e seguiram até a Praça da República, onde aconteceu o desfile militar. Neste ano, não houve tumultos ou embates com as forças armadas. A Polícia Militar apenas observou as ações.

Segundo o coordenador do movimento, Maurício Santos, a escolha do tema foi unanimidade entre os movimentos sociais. “As populações locais e os índios não foram sequer ouvidos durante o processo de instalação em Belo Monte. Todas essas contradições favorecem as batalhas judiciais. Uma prova de que a Justiça também faz esta mesma avaliação. Ao mesmo tempo cada um terá espaço para fazer suas reivindicações específicas, como é o caso do movimento indígena”, explica Maurício.

Diversos indígenas, incluindo os membros de comunidades atingidas pela usina hidrelétrica de Belo Monte, discursaram em sua língua original e também em português, criticando as ações governamentais. “Nós queremos o Xingu vivo, e não morto. Sete de setembro se tornou uma data triste para nós. Belo Monte está avançando e precisamos derrubá-la”, afirmou um dos participantes. Representantes religiosos também se manifestaram contra o sistema instituído atualmente na região, que impõe a destruição ambiental em nome do lucro empresarial. Pessoas de todas as idades, com a presença de inúmeras crianças, também integravam o evento. “Meu filho tem 2 anos, talvez não entenda o que acontece aqui, mas tenho certeza que ele sente a força de um grupo unido. Ele já percebe a organização em prol de um objetivo comum. E é nesse espaço que ele vai crescer”, disse Carla Sampaio. O Grito teve teatro de rua e música, e foi organizado também por entidades de trabalhadores. (Diário do Pará)

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