Pelo menos quatro de cada 10 leitos das unidades de terapia intensiva estão ocupados por vítimas de acidentes com motocicleta. De cada 10 acidentes em todo o Brasil, pelo menos sete envolvem motoqueiros e motociclistas. No Pará já são quase 3 mil internados por ano em consequência deste tipo de acidente. Ontem, 11, o Ministério da Saúde anunciou o repasse de recursos para o Projeto Vida no Trânsito para capitais e municípios de todo o país com mais de 500 mil habitantes. O governo do Pará e a prefeitura vão receber R$ 250 mil cada neste primeiro repasse.
Pelos dados do Ministério da Saúde, mais de 300 mil brasileiros morreram no trânsito, de 2000 a 2008. Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2009, indicam que 1,3 milhão de pessoas no mundo morre anualmente no trânsito e que, até 2030, esse número poderá chegar a 2,4 milhões, caso medidas não sejam tomadas. Os usuários mais vulneráveis são os pedestres, motociclistas e ciclistas.
Os recursos para o Projeto Vida no Trânsito, criado em 2010, devem ser investidos na implantação de observatórios de trânsito que se destinam à integração de dados e informações sobre feridos e mortes.
O dinheiro repassado também pode ser utilizado na capacitação e formação de pessoal, como profissionais de saúde, de trânsito e também de educação. Os responsáveis pelo programa terão de elaborar planos de ações, que serão examinados pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), ligada ao Ministério da Saúde.
O Ministério da Saúde quer, com esse programa, combater um dos mais crescentes “gastos” na saúde pública. Segundo um levantamento realizado pelo Ministério, os custos com internações por acidentes com motociclistas pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passou de R$ 45 milhões em 2008 para R$ 96 milhões em 2011. O crescimento dos gastos acompanha o aumento das internações, que saltaram de 39.480 para 77.113 hospitalizados no período.
No Pará, os custos de internação com pacientes devido a acidentes de trânsito envolvendo motos chegam a R$ 2,7 milhões por ano, mais que o dobro do que era necessário em 2008, quando eram gastos R$ 1 milhão. De 2008 a 2010, o número de mortes por este tipo de acidente, de acordo com o levantamento, aumentou 21% — de 8.898 para 10.825 óbitos. Com isso, a taxa de mortalidade cresceu de 4,8 óbitos por 100 mil habitantes para 5,7 por 100 mil no período, superando as taxas de mortes de pedestres (5,1 óbitos por 100 mil habitantes) e de motoristas de carros, ônibus e caminhões (5,4 óbitos por 100 mil habitantes).
Os acidentes com moto já estão se tornando uma “epidemia”, conforme declarou o diretor da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves Júnior, ao afirmar que a possibilidade de morte em acidente com moto é 20 vezes maior do que com carro. Ele informou que, somente em 2012 40 mil pessoas morreram no Brasil vítimas de acidentes de trânsito.
Enquanto isso o mercado de motos deve continuar crescendo em todo o país, tendo em vista o aumento do poder de compra dos brasileiros. Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) mostram que 85% dos atuais compradores de motocicletas pertencem às classes C e D. Desse total, 49% dizem ter optado pela moto por deficiência no transporte público e 16% tem a motocicleta como instrumento de trabalho.
De acordo com o diretor da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues, 71% dos acidentes com motocicletas geram vítimas, enquanto nos casos com veículos automotores apenas 7% têm vítimas.
“Essa ‘doença’ está produzindo sequelados e incapacitando o homem para o futuro” ressalta o diretor, observando ainda que a condução de uma motocicleta é atividade penosa, realizada em condições insalubres, em que o condutor é submetido a riscos químicos, biológicos, estresse físico, mental e lesões físicas.
(Diário do Pará)
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