Viver custa caro. Serviços, transporte, alimentação, artigos básicos do dia a dia. Tudo tem um preço. E por menos consumista que alguém seja, não há como negar que dinheiro é fundamental para a sobrevivência.
Por isso, quando estes valores ultrapassam limites considerados justos, quando são acrescidos de taxas e cobranças, além dos custos ordinários de sua produção, o mercado contesta. Exatamente como ocorreu ontem no Feirão do Imposto, em Belém.
Realizada em todo o Brasil, a ação tem como finalidade cobrar mais transparência não somente na arrecadação, mas na gestão dos recursos oriundos da tributação no país.
Segundo Renato Cortez, coordenador da ação Feirão do Imposto em Belém, o evento vem crescendo a cada edição e neste ano ganhou a adesão de diversas empresas. Na verdade o empresário participa como uma forma de protesto. Ratifica que não há sonegação de impostos.
Todos são pagos normalmente, apenas não são repassados aos clientes numa tentativa de mostrar a sociedade o peso da carga tributária no dia a dia. “A cesta básica, por exemplo, tem diferentes alíquotas, mas se tirássemos o imposto de todos os produtos a redução no preço alcançaria 40%. Ou seja, a cada dois meses, o cidadão conseguiria comprar outra cesta”, diz.
E o mesmo ocorre em restaurantes. Num almoço de 32,50, por exemplo, mais de um terço, 10,50, pagam apenas impostos cobrados pelo governo. Situação simulada ontem pelo empresário Carlos Sostisso.
Dono de uma rede de churrascarias, ele reduziu o valor do kg cobrado de R$35,90 para R$26,53. “É uma quantia que poderíamos investir em outras coisas, como melhoria do atendimento, qualidade de vida, expansão do negócio, além de ter um preço mais baixo para o consumidor”, comenta. Participando pela primeira vez do evento, ele espera chamar atenção da população também à importância do voto consciente. “As eleições estão aí e nós precisamos votar em candidatos sérios, conhecer suas funções, analisar suas promessas, ver o que ele pretende fazer com a arrecadação tributária”, citou.
Além da churrascaria, localizada num shopping na Avenida Augusto Montenegro, outros restaurantes disponibilizaram ao menos um prato sem imposto. E não são apenas produtos alimentícios ofertados. Duas lojas de veículos cederam uma moto e um carro para serem adquiridos também sem a carga tributária. “Quem for sorteado terá a chance de comprar um carro que vale R$30.500 por R$19.500”, explica Renato.
Pego de surpresa com a oferta, Rodrigo Silva, universitário, apoiou a mobilização da classe empresarial e concordou com as reivindicações. “A gente viaja para outros países e percebe como os produtos no Brasil são mais caros, justamente pelos impostos excessivos. Seria muito bom para a população poder ver o dinheiro render mais e saber também para onde ele está indo. Acredito que o governo gaste em setores que não são tão prioritários, porque a saúde, que deveria ser prioridade, permanece precária”, concluiu.
IMPOSTÔMETRO
Além disso, será inaugurado hoje o primeiro Impostômetro da Região Norte, que ficará no prédio da Associação Comercial do Pará, situado na Av. Presidente Vargas, 158. O evento terá início às 12h e contará com a presença de associados, autoridades, parceiros e convidados, além da sociedade paraense. De janeiro a setembro deste ano já foram contabilizados mais de 1 trilhão e 52 bilhões de reais em impostos no Brasil. O aparelho está sendo implantado em parceria com a faculdade Maurício de Nassau.
No próximo sábado, em parceria com uma rede de posto de combustível, ocorrerá a venda, sem imposto, de 3.000 (três mil litros) de gasolina. Cada veículo terá direito a comprar no máximo 20 litros de gasolina e o pagamento deverá ser efetuado exclusivamente à vista em dinheiro, de 9h às 11h, ou até finalizar a quantidade disponibilizada.
HISTÓRICO
O Feirão do Imposto é um projeto de empreendedores e empresários ligados à Confederação Nacional dos Jovens Empresários (CONAJE). O Feirão informa, de forma transparente, à população acerca da alta carga de impostos pagos sobre todos os serviços e bens de consumo. O projeto foi criado em 2003, na cidade de Joinville, e atualmente realiza ações em diversas cidades brasileiras.
(Diário do Pará)
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