Desde que nasceu, a adolescente Érica Monteiro, 13 anos, sofre com problemas cardiológicos. Por esse motivo, teve uma infância complicada e passou a maior parte do seu tempo dentro de um hospital. Hoje, a vida dela ganha um novo capítulo. A menina foi uma das primeiras pacientes a ser atendida pelo mutirão de hemodinâmica, realizado pela Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Viana (FHCGV), em Belém.
O mutirão tem como principal objetivo atender crianças com problemas cardiológicos congênitos. A meta do hospital é realizar, somente neste final de semana, 12 procedimentos. “A minha filha já fez o procedimento cirúrgico e está ótima. Sem dúvida, a partir de agora a nossa vida será outra. Estamos muito felizes e com muita esperança de uma vida melhor”, disse a mãe de Érica, Rosiane Veloso.
Assim como ela, dezenas de outras mães aguardavam na sala de espera os filhos retornarem do tratamento. “Viemos de Moju para Belém só para fazer esse procedimento. Se não fosse esse mutirão, nós teríamos que esperar cerca de dois anos para poder curar a minha filha, porque ela já estava em uma fila de espera”, contou Josinete dos Santos, mãe de uma criança de 8 anos, que foi diagnosticada com sopro no coração quando ainda era recém-nascida.
A técnica utilizada no mutirão da hemodinâmica é pioneira na região Norte, feita somente no Hospital de Clínicas. O método consiste no implante de um stent, que é um tubo de metal gradeado, com no máximo 4 milímetros, para a correção do problema no coração da criança. A diretora assistencial do hospital, Renata Alves, explicou que esta técnica é utilizada em bebês recém-nascidos, crianças e adolescentes, que possuem dois tipos de cardiopatias, a estenose pulmonar valvar e a persistência do canal arterial. “Além dessa técnica ser uma opção menos invasiva que o tratamento cirúrgico, ela também reduz o tempo de internação dos pacientes no hospital. Para fazer esse tipo de procedimento, o paciente precisa ficar apenas 24 horas internado em um leito, já com o método tradicional, o paciente precisa ficar em média 15 dias internado”.
Segundo ela, todas as crianças que foram cadastradas no mutirão para a realização do tratamento foram submentidas aos exames necessários para que os procedimentos tenham pleno êxito. Atualmente, 275 crianças que possuem algum defeito cardíaco congênito estão cadastradas no HC para realizar o procedimento cirúrgico. “A ideia é que outros mutirões possam acontecer com mais frequência para que possamos reduzir esta fila de espera”, enfatizou a diretora. Dados do hospital mostram que de cada mil crianças, oito nascem com um problema cardíaco. A maior parte deles é diagnosticada ainda dentro do útero. (Agência Pará)
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