No final da tarde de ontem, quando os leitores do DIÁRIO encontraram a edição de hoje do jornal nas bancas, livrarias, comércios e na caixa de correio das suas casas, tiveram uma grata surpresa: o preço de capa da publicação baixou e retornou para os R$ 2,00, preço pelo qual foi comercializado por cerca de 15 anos até o início de junho passado, quando uma dificuldade gerada por problemas com fornecedores e pela alta do papel no mundo, forçou a majoração do preço.
Nesses pouco mais de três meses a redação do jornal recebeu uma enxurrada de cartas, e-mails e telefonemas questionando o aumento de preço e pedindo para que o valor antigo retornasse. “Um dos grandes méritos do DIÁRIO foi estar sempre conectado ao que o leitor precisa ao que ele quer. Após muito esforço conseguimos solucionar essa questão do papel e retornamos ao preço original. Nossa meta foi sempre levar o jornal ao maior número de pessoas e não restringir o seu acesso. Muito pelo contrário”, destaca Jader Barbalho Filho, diretor-presidente do DIÁRIO.
“Felizmente conseguimos enxugar alguns custos e encontramos alternativas para não afetar economicamente o jornal e, ao mesmo tempo, não prejudicar nossos leitores fiéis que não merecem ser prejudicados por um problema conjuntural”, coloca Jader.
Camilo Centeno, diretor-geral da RBA, explica que o papel é o maior e mais importante insumo de qualquer jornal hoje e o seu preço impacta profundamente as finanças da empresa. “O mundo atravessou uma crise causada pelo fechamento de algumas fábricas, o que provocou a alta generalizada no preço da tonelagem do papel. Os custos aumentaram muito e fomos obrigados a rever o preço do jornal. Até então conseguíamos sempre renegociar esses reajustes com os fornecedores e evitávamos repassar para o consumidor”, detalha.
Com os aumentos no preço, muitos jornais dos Estados Unidos e Europa reduziram as compras fazendo com que houvesse uma oferta de papel acima da demanda. Com esta sobra, alguns fornecedores foram obrigados a baixar o preço.
“Até então nosso principal fornecedor eram os americanos e passamos a comprar papel também da Rússia, Suécia e Canadá e conseguimos preços melhores mantendo a qualidade do insumo. Isso levou tempo, mas ao final conseguimos renegociar com esses fornecedores, voltamos à situação anterior, fechamos contratos de longo prazo e agora estamos repassando essa conquista ao leitor, voltando à condição de junho”, explica o diretor da RBA.
Jader Filho lembra que a liderança que o jornal conquistou hoje se deu graças à audiência de funcionários públicos, aposentados, estudantes, corretores de imóveis e de várias outras categorias para quem lê um jornal diário é, antes de tudo utilidade pública.
Muitas dessas pessoas, segundo ele, escolheram o DIÁRIO para ler e se informar. “Vivemos num estado muito rico, mas infelizmente, ainda muito desigual. Muitas dessas pessoas contam moedas diariamente para pagar uma passagem, comprar um prato de comida ou comprar um livro. E o DIÁRIO tem feito um grande esforço para não contribuir para esse aperto que essas pessoas fazem para fechar o orçamento. Por isso fizemos tudo que estava ao nosso alcance para voltar ao preço anterior e garantir que o jornal chegasse ao nosso leitor com um preço justo”, justiça o diretor-presidente do jornal.
Noticiário de qualidade por um preço acessível
O feirante aposentado Ribamar Pires lê diariamente o jornal há exatos 30 anos, desde que o jornal foi fundado. Ele fez a maior festa quando avistou a equipe de reportagem na última sexta de manhã na frente da Feira Municipal do Guamá. “Apesar de viver de aposentadoria, para mim esse reajuste não fez nenhuma diferença, já que pagava R$ 1,00 a mais só aos domingos. Mas fico feliz que a direção do jornal tenha tomado essa medida de reduzir o preço. O povo agradece!”.
Cada um dos 41 carros da Associação dos Taxistas da Escola Superior de Educação Física e Armazém (ATESEFA) sai do ponto da Avenida João Paulo II com Vileta diariamente com um exemplar do DIÁRIO para distrair e informar os passageiros durante a viagem. O problema é que logo cedo os carros ficam desfalcados. “Muitos passageiros pedem para ficar com o DIÁRIO e acabamos dando. Em seguida compramos outro”, diz Caio Tibério secretário da cooperativa.
Há 40 anos trabalhando no ramo de revistaria, Elson Beltrão trabalha há muitos anos numa banca da avenida Nazaré entre a Vila Leopoldina e a Travessa 14 de Março. Ele avalia que as vendas do jornal não caíram desde junho, quando ouve o reajuste para R$ 3,00.
“Vendo de 15 a 20 exemplares do DIÁRIO todos os domingos aqui e acredito que mais pessoas virão aqui procurar pelo jornal”.
Quem também comemorou a medida foi Antônio Ribamar Castro, 42 anos, que atua como corretor de imóveis autônomo. Ele vende e aluga imóveis principalmente na periferia de Belém, em bairros como Guamá, Terra Firme e Jurunas. Ele precisa comprar diariamente os jornais com classificados. São seu instrumento de trabalho.
“Aos domingos o jornal sempre é mais caro mas o DIÁRIO tinha o diferencial de custar apenas R$ 2,00. Agora melhorou, pois o jornal com a redução de preço ajuda quem precisa comprar jornal todos os dias”.
Avaliação geral confirma: decisão da direção do jornal foi acertada
Em razão do preço de R$ 2,00 ter permanecido por mais de uma década na capa do jornal, muitos leitores acharam até certo ponto justo o reajuste para R$ 3,00 ocorrido em junho passado.
O jornaleiro Carlos Alberto Trindade, 60 anos, vende há dois o DIÁRIO na frente de uma padaria na confluência das avenidas Generalíssimo Deodoro e Mundurucus. Ele diz que assim que o preço foi reajustado a clientela fiel reclamou. “Ninguém gosta de aumento, seja de que valor for. O jornal é o mais lido e que o povo mais gosta. Com essa redução de preço aos domingos as vendas certamente vão aumentar”, comemora.
O funcionário público e professor de Biologia Eugênio Serrão, freguês de Trindade, considerou a redução de preço uma ótima notícia. “Na verdade nossos salários não acompanham esses reajustes e o jornal é um bem de consumo diário. Eu consumo informação todos os dias pelo jornal há mais de 10 anos. E qualquer reajuste no preço faz a diferença”.
O jornaleiro Raimundo Adelino Ferreira, 78 anos, vende jornal há cerca de 40 anos na confluência das avenidas José Bonifácio e Barão de Igarapé Miri, no Guamá, numa pequena banca onde também comercializa livros e revistas usadas. O DIÁRIO ele comercializa há mais de 15 anos. “Reduzir o preço e bom para todo mundo. Ganham os leitores que pagam menos e ganho eu que vendo mais jornal”, diz.
Do outro lado da rua a reportagem encontrou a estudante Ana Paula Caldas, de apenas 17 anos, que vende jornal numa pequena banca junto com seu pai. “O DIÁRIO vende muito aqui no Guamá e mesmo depois do aumento o povo continuou comprando. Agora, com o preço menor vai acabar bem mais cedo”, diz ela, que chega a vender entre 20 e 25 jornais todas as manhãs. (Diário do Pará)
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