Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) liberaram, por volta de meio-dia, o trecho da BR-155 que estava interditado desde as 8h desta segunda-feira. A interdição próxima à fazenda Peruana, que fica a 17 km do município de Carajás, foi um protesto contra uma decisão da justiça de reintegrar a posse da fazenda ao seu proprietário. Nela estão acampados, há cerca de 9 anos, cerca de 385 famílias do acampamento Lourival Santana.
Segundo Ivagno Brito, da direção nacional do MST, os trabalhadores permanecem acampados nas margens da rodovia, e ameaçam voltar a fechar a estrada caso não haja nenhuma solução para o impasse.
As famílias do acampamento estão indignadas e não aceitam a decisão da reintegração de posse, além disso, elas reivindicam a criação de um projeto de assentamento na parte da fazenda Peruana que já teria sido declarada com terra pública há cerca de 9 anos. “Não adianta só suspender o despejo, como já vem sendo feito há algum tempo, nós queremos a criação do projeto de assentamento que já tem área prevista, mas falta o Iterpa (Instituto de Terras do Pará) criar a área, para evitar essa instabilidade toda”, explicou o dirigente.
Na tarde de hoje (17), o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Marabá teve uma reunião com a direção do Movimento e teria contatado o proprietário da fazenda que, segundo Brito, teria demonstrado interesse em negociar com o Incra uma indenização pela terra. Porém, até o momento, não há nenhuma posição definitiva sobre o destino das 121 famílias acampadas.
Os sem-terra realizaram protesto semelhante na semana passada também na BR-155. Representantes da Superintendência Regional do Incra em Marabá estiveram no local e prometeram levar o problema ao conhecimento da direção nacional do instituto, mas ainda não há uma resposta.
(DOL)
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