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Professora será ouvida novamente

Inicialmente o caso teria sido considerado apenas Injúria. Mas, de acordo com o Delegado James Moreira, da Seccional de São Brás, após o surgimento de novos fatos, um inquérito policial para apurar injúria racial foi aberto. Assim, o caso da professora Da

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Inicialmente o caso teria sido considerado apenas Injúria. Mas, de acordo com o Delegado James Moreira, da Seccional de São Brás, após o surgimento de novos fatos, um inquérito policial para apurar injúria racial foi aberto. Assim, o caso da professora Daniela Cordovil, da Universidade Estadual do Pará , poderá ser levado ao judiciário. Nesse caso, ela, que é acusada de chamar o vigilante da instituição de “macaco”, será ouvida novamente.

Segundo o advogado Thiago Deluque, que representa a vítima Rubens dos Santos e o estudante Paulo de Paula, que gravou o momento do delito, o primeiro passo é pedir a retificação do Boletim de Ocorrência. “Apesar de tudo o que foi dito, o ato foi considerado apenas Injuria no começo. Vamos formalizar o pedido de que seja tratado como Injúria Racial e pedir a inclusão do Paulo como vítima”, explica. Serão abertas duas ações pela defesa. “Uma ação civil contra a professora e contra a universidade, que é responsável pelos funcionários que tem e uma ação criminal somente contra a professora”, completa.

O delegado James Monteiro informou que agora os envolvidos serão chamados a depoimento. “Todos vão ser ouvidos e em 30 dias a gente apura, conclui e encerra o caso para encaminhar à justiça. Mesmo que no decorrer do inquérito se perceba que não houve injúria racial, ele será encaminhado para o judiciário e Termo Circunstancial de Ocorrência feito antes vai em anexo no processo”, esclarece.

Para Zélia Amador, Coordenadora de Estudos Afro Amazônicos da UFPA, a justiça não deve tratar esse caso como isolado. “A Justiça deve julgar esse caso como exemplar porque é carregado de gravidade. Gravidade porque ela é uma docente, porque estuda as religiões afro, porque é antropóloga. Ela vai além da injúria racial, ela cometeu um ato racista”, defende.

De acordo com o presidente da Comissão de Igualdade Racial e Etnia da OAB/PA, Jorge Farias, o ato é mais corriqueiro do que se imagina. “Hoje há uma Delegacia de Crimes Raciais, em Belém, mas ainda é um pouco desconhecida. Ainda assim ela é uma vitória do movimento negro e qualquer caso como esse pode ser levado para lá”, afirma.

PROVIDÊNCIAS

Segundo Felipe Alves, advogado de Daniela Cordovil, todas as providências cabíveis já estão sendo tomadas em defesa da acusada. Segundo ele, o objetivo é mostrar que em nenhum momento houve a prática de injúria racial, muito menos atitude racista por parte de Daniela, “já que o racismo consiste no fato de impedir alguém de fazer algo por conta da cor da pele”.

O advogado explicou que, em nenhum momento, ficou evidente que a intenção da professora ao chamá-lo de “macaco” foi relacionado à cor da sua pele e sim ao seu comportamento. “Nada comprova que a professora Daniela agiu com racismo contra o funcionário, tanto que ele mesmo disse que a ofensa foi apenas em ela tê-lo chamado de palhaço”, disse.

Felipe apontou ainda, o envolvimento de um aluno da universidade, que teria propagado calúnias contra a professora. Foi inclusive este aluno, segundo ele, que gravou e divulgou o vídeo do momento do desentendimento. “Nós abrimos um processo de injúria, calúnia, constrangimento e ameaça contra o aluno”, reiterou.

Felipe reiterou que Daniela Cordovil já admitiu ter errado em ter se exaltado contra o porteiro e que inclusive, veio a público se desculpar. “Não existe motivo para ela ter agido de forma racista, uma vez que ela mesma vem de uma família de origens indígenas.

Nós queremos mostrar que o que houve foi um grande mal entendido propagado por esse aluno, e mostrar que todos os docentes estão apoiando a Daniela por conta do histórico de trabalhos que ela tem voltados à cultura”, concluiu.

(Diário do Pará)

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