Havia no meu pai uma vontade imensa de viver. Por isso ele até evitava reclamar. Dizia que não tinha nada, que estava bem”. A explicação de José Walter Rolim, filho do jornalista Walter Guimarães, sintetiza muito da maneira de encarar a vida de um dos mais queridos colunistas sociais do Estado, morto na madrugada de terça-feira, vitimado por uma parada cardiorrespiratória, depois de ter se sentido mal no apartamento onde morava.
Ontem pela manhã, admiradores, colaboradores, familiares e amigos uniram-se na despedida a Walter. O enterro foi realizado à tarde. As definições mais ouvidas relatavam o companheirismo, a humildade e bondade de Guimarães. “O que me impressionava era o bom humor e o fato de mesmo sendo um dos mais conceituados jornalistas, não ter perdido essa humildade”, disse o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Cipriano Sabino. “Ele sempre fazia muitos amigos, era uma pessoa boníssima”, completou.
Com 50 anos de Jornalismo, Walter Guimarães ajudou a formar novos valores. “Fui foca dele”, lembrou o jornalista e colunista Guilherme Augusto. “Ele já era um profissional experiente. Aprendi muito com o Walter em jornal e em TV. Trabalhamos juntos durante muito tempo e em vários lugares”.
“Foi um irmão para mim”, diz Diomério Serrão, companheiro de seminário de Walter Guimarães. “Entramos no seminário em 3 de fevereiro de 1952. Ele ia fazer 13 anos. Eu, quinze. Ficamos uns três anos e meio no seminário. O Walter escrevia muito. Já tinha esse dom”.
Companheiro de redação de Walter Guimarães durante muitos anos, inclusive na extinta A Província do Pará, o jornalista Rubens Silva diz que a melhor definição a ser dada é ‘ícone’. “Apesar de ter exercido inclusive funções executivas na comunicação, foi no colunismo social que ele se tornou um ícone, porque tinha esse ecletismo, que abria espaços para diversas camadas da sociedade. Isso foi marcante”, afirma.
Esse colunismo não elitizado era uma característica especial de Walter na avaliação do fotógrafo Balthazar Costa, que trabalhou durante 20 anos com o colunista. “Ele atendia do boy ao governador”, diz o fotógrafo. “Foi ele quem me levou para trabalhar. Era uma pessoa compreensiva, amiga. Grande perda”, lamentou Balthazar.
“Nunca me senti tão só como estou me sentindo agora”, chorava Nazaré Nogueira, ex-mulher de Walter Guimarães. O casal havia separado há três anos, mas mantinha boas relações. Ela e a filha eram consoladas por amigos do colunista. Jorge, outro filho de Walter, não pode comparecer à cerimônia. É marinheiro mercante e está em alto mar.
A presidente do Sindicato dos Jornalistas do Pará, Sheila Faro, falou ao telefone com Walter horas antes da morte do colunista. “Liguei, disse que estava com saudades, conversamos, ele disse que estava novinho em folha. Marcamos para nos encontrarmos no fim de semana. Depois só fiquei sabendo do que aconteceu. Ele ensinou muita gente”.
Na entrada da capela onde o corpo estava sendo velado, o que seria a homenagem dos 50 anos de Jornalismo de Walter Guimarães transformou-se em homenagem póstuma. Uma revista comemorativa do cinquentenário profissional do colunista. A revista seria lançada no dia do aniversário de Guimarães, em março, mas no dia previsto, o jornalista teve um problema cardíaco. A edição foi protelada até um momento mais propício. Não se esperava que fosse dessa forma. A experiência não será esquecida por quem fez a edição. “Foi trabalhar ao lado dele, coletar memórias e aprender sobre a história bacana dele, que se confunde com a do próprio jornalismo paraense”, diz a jornalista Lorenna Montenegro, responsável pelos textos da revista.
“Acabou sendo a homenagem derradeira, póstuma”, lamentou o diagramador Ronaldo Torres, que sempre trabalhava as páginas de Walter Guimarães no DIÁRIO. “Fica a lembrança”, concluiu.
Homem humilde e de fino trato
“Não desaparecem os que morrem, mas sim os que são esquecidos”. Foram com esse sentimento as últimas homenagens a Walter Guimarães na tarde de ontem e que precederam o enterro. Todos foram unânimes em afirmar que o legado de Walter jamais será esquecido. Amigos e colegas de profissão de longa data relembravam a convivência com um dos colunistas mais queridos da terra.
Padre Eloy Waith, que fez a última celebração, disse que o momento da morte nos faz lembrar o quanto importante significou a vida de quem partiu. “Conhecia o Walter há muitos anos e ele sempre procurou fazer o bem. Cumpriu sua missão terrena produzindo apenas coisas boas, pois tinha um enorme coração”, ressaltou. José Severo de Souza, 74, conhecia Walter há mais de 40 anos. “A perda do Walter deixará uma lacuna enorme para seus amigos e na imprensa paraense”.
Gerson Nogueira, diretor de Redação do DIÁRIO, observou que Walter foi talvez o último colunista social da velha escola. “Conhecia todo mundo, frequentava a alta roda e era, ao mesmo tempo, uma pessoa muito simples. Acima de tudo, era muito estimado pelos colegas, principalmente os mais humildes”.
O secretário estadual de Turismo, Adenauer Góes ressaltou os 50 anos de profissão de Walter e lembrou sua figura humana. “Walter era uma pessoa humilde e de fino trato. Tratava todos da mesma forma e soube fazer amigos. Fará falta”, comentou. O empresário Oscar Rodrigues, diretor do Grupo Líder, conhecia Walter há mais de 35 anos e disse considera-lo da família. “Walter tinha um caráter fantástico. Era a bondade em pessoa. A perda é imensa, como se fosse um familiar meu”, destacou.
Jader Barbalho Filho, diretor-presidente do DIÁRIO, ressaltou que Walter era uma das estrelas do colunismo do jornal. “Não apenas o DIÁRIO perde, mas o jornalismo paraense como um todo. Sem dúvida, sua perda é lamentável”. Camilo Centeno, diretor-geral da RBA disse que o baque foi grande, já que Walter aparentava ter se recuperado de seus problemas de saúde. “O Walter era especial e estava conosco há quase 25 anos. A família DIÁRIO lamenta muito essa perda”. Francisco Melo, diretor-financeiro do grupo, conhecia Walter há mais de 50 anos, tendo sido inclusive seu colega de seminário. “Tinha por ele a mais profunda admiração e respeito. Foi uma grande honra trabalhar com ele e ser seu amigo”, disse. Walter foi enterrado por volta das 17h no cemitério Recanto da Saudade.
A Secretaria de Estado de Comunicação, em nome do Governo do Pará, manifestou pesar pela notícia da morte de Walter Guimarães, “um dos grandes jornalistas paraenses. Com mais de 50 anos de experiência, período em que conquistou a admiração e respeito de seus leitores e dos profissionais da notícia no estado”.
Adelaide Oliveira, presidente da Funtelpa, lembrou Walter com a intensidade da vida que ele teve. “Pela pessoa ou pelo trabalho que ele fez aqui na Funtelpa? Pelo diretor que todos lembram como amigo ou pelo amigo que todos lembram competente? Pode ser pela saudade que deixa na empresa - não há mais chances dele voltar. Com a morte do amigo, tudo parece dentro de um tempo só chamado Walter”, homenageou.
Walter foi funcionário da Câmara Municipal de Belém de 1988 a 2010, quando se aposentou. Para o presidente da CMB, vereador Raimundo Castro, “Belém e o Pará perdem um grande jornalista que atuou em TV, Rádio e Jornal a serviço da informação de qualidade e da cidadania em nossa cidade e em nosso Estado”.
Em nota conjunta, o Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor) e a Academia Paraense de Jornalismo (APJ) lembraram a longa carreira a trabalho da imprensa paraense. “Sua coluna, uma das mais lidas para quem quer estar atualizado nas rodas sociais, é o retrato de sua fineza, elegância, bom humor e seriedade. Nosso adeus a Walter. Que seu trabalho que é parte da história do nosso estado, enriqueça o trabalho jornalístico do Pará”.
MOÇÃO NA AL
A Assembleia Legislativa aprovou moção e requerimento em solidariedade aos familiares do jornalista Walter Guimarães, que morreu na madrugada de terça-feira, vítima de infarto, que integrava o quadro de colunistas sociais do Diário do Pará e que deixa um grande vazio entre os colegas de profissão.
Os líderes do PSol, Edmilson Rodrigues e da bancada do Governo, Márcio Miranda (DEM), apresentaram votos de pesar aos familiares e ao DIÁRIO, através de moção e requerimento, aprovados por unanimidade pelo plenário. “Ele era reconhecidamente um dos grandes jornalistas deste Estado, por ter conquistado seu espaço de colunista e respeito ao público, além de ter contribuído com o Pará através de diversas funções públicas exercidas com louvor”, descreveu Márcio Miranda.
Já Edmilson Rodrigues citou que Walter era um jornalista de boas fontes e acompanhamento dos fatos da cidade, mantendo sempre em alta sua coluna, denominada de eclética, que era uma das mais lidas. Citou também a trajetória honrosa de Walter Guimarães e pediu a todos apoio à menção honrosa a um dos nomes mais importantes do jornalismo paraense.
(Diário do Pará)
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