A professora doutora Daniela Cordovil, da Universidade do Estado do Pará (Uepa), acusada de cometer injúria racial contra o vigilante Ruben Santos, não compareceu ontem para prestar esclarecimentos na Ouvidoria da Universidade. A reunião estava marcada para 10h, mas às 10h10, um documento de duas páginas, assinado por ela, foi entregue no Protocolo Geral, por meio do advogado da docente, Felipe Alves.
A imprensa não teve acesso ao documento e até o momento da entrevista coletiva, o ouvidor Lairson Cabral, ainda não tinha lido o conteúdo dos esclarecimentos da professora. Na terça (18), o estudante Paulo de Paula, testemunha que também foi verbalmente agredida, entregou pessoalmente uma declaração por escrito à Ovidoria. “Estou em posse dos dois documentos e ambos atendem ao que foi solicitado”, afirmou Cabral. Ele garante que o processo administrativo não será comprometido por não poder ouvir pessoalmente os dois envolvidos.
Hoje, um relatório deve ser entregue ao setor jurídico da Uepa, que definirá os rumos do processo administrativo. Caso julgue necessário, uma comissão investigadora deve for formada, por membros indicados pela reitora Marília Brasil Xavier. “O afastamento ou suspensão da professora é uma decisão que cabe ao departamento e à coordenação do curso em que ela atua”, ressalta o ouvidor. Daniela trabalha na Uepa desde agosto de 2010. “Ela está em período de avaliação é claro que isso poderá prejudicá-la”, analisa.
Na sexta-feira (14), Daniela teria chamado o vigilante Ruben Santos de “macaco”, ao tentar adentrar, juntamente com um grupo de amigos, no Centro de Ciências Sociais e da Educação (CCSE), da Uepa. A entrada pelo portão do CCSE é proibida após as 18h.
Foi registrado um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO), na Central de Flagrantes de São Brás. Os dois foram chamados para prestar esclarecimentos, às 22h de terça-feira (18), mas somente Paulo compareceu.
DEFESA
Felipe Alves, advogado de Daniela, explicou o porquê do não comparecimento da professora à Ouvidoria da Uepa. “Protestos não podemos impedir, mas diante de ações que possam ferir a integridade física da professora Daniela, optamos por protegê-la”, disse.
Felipe contou que a cliente estava sendo ameaçada através de uma rede social, no dia anterior ao marcado para a reunião. Segundo ele, as ameaças prometiam agressão e humilhação contra Daniela, caso ela comparecesse à Universidade. “Optamos por entregar o documento com todos as perguntas respondidas de forma clara. Caso não seja suficiente e fique alguma dúvida por parte da Ouvidoria da Uepa, estamos à disposição para marcar uma reunião posteriormente e assim sanar possíveis pendências, mas acredito que tudo esteja muito bem explicado no termo que foi entregue”, afirmou o advogado.
(Diário do Pará)
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