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Transporte urbano custa caro para as famílias

Em Belém, a população compromete pelo menos 15% da renda com transporte urbano. Os dados foram apresentados ontem, 20, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisou o perfil de gasto das famílias brasileiras residentes em nove regiões

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Em Belém, a população compromete pelo menos 15% da renda com transporte urbano. Os dados foram apresentados ontem, 20, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisou o perfil de gasto das famílias brasileiras residentes em nove regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Fortaleza, Salvador e Belém), com deslocamentos urbanos ou metropolitanos, que podem ser realizados por transportes individuais ou coletivos.

Dois indicadores principais constam na pesquisa: o comprometimento de renda com gastos em transporte urbano e metropolitano e o percentual de famílias que efetuam esse tipo de gasto. O objetivo do trabalho é a investigação sobre o avanço dos gastos com transporte individual pelas famílias brasileiras em detrimento dos gastos com transporte coletivo. No Brasil o transporte privado tem assumido papel predominante, gerando fortes impactos sobre as condições de mobilidade da população nos grandes centros urbanos.

Exemplo disso é a compra de meios de locomoção, que podem ser carros ou motocicletas. De acordo com o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Carlos Henrique de Carvalho, a partir de 2003, o país registrou melhorias em praticamente todas as faixas de renda. “Mas grande parte desse aumento de renda é canalizada para o transporte privado, principalmente para a compra de automóveis e motocicletas, o que aumenta a degradação das condições de trânsito nos deslocamento cotidianos”, disse.

Com isso os moradores das áreas urbanas brasileiras acabam comprometendo aproximadamente 15% da sua renda com o transporte urbano, gastando em média cerca de cinco vezes mais em transporte privado do que com transporte público nos seus deslocamentos diários. “A relação entre os gastos com transporte privado versus gastos com transporte público é maior nas famílias residentes nas cidades interioranas e menor nas famílias das cidades que formam o colar metropolitano das nove RM’s estudadas, indicando maior dependência do transporte público entre essas últimas famílias, em função da menor renda familiar”, destaca o estudo.

Para Carvalho, o governo federal precisa adotar políticas de mobilidade urbana baseadas no modelo europeu, que não cria restrições para a compra de veículos, mas estimula o uso racional de automóveis e motocicletas. A ideia é ampliar, por exemplo, as tarifas de cobrança em estacionamentos e pedágios urbanos e melhorar a qualidade do transporte público. “Assim, a pessoa pode deixar o carro na garagem ou em uma estação de metrô mais próxima”, explicou.

(Diário do Pará)

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