Investimentos para qualificar a informação e a integração entre diversos órgãos de segurança pública para diminuir o número de mortes no trânsito. É esse o objetivo do projeto “Vida no Trânsito” do governo federal, sob responsabilidade do Ministério da Saúde. O projeto que abrangia cinco capitais, ano passado, foi estendido para as 22 restantes mais o Distrito Federal.
Ontem pela manhã, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e o Departamento de Trânsito do Pará (Detran) apresentaram na sede do departamento, em Belém, o “Vida no Trânsito” para gestores estaduais, municipais e sociedade civil. O motivo foi o repasse federal de mais R$ 500.000 para Belém e para o Estado, que dividirão o recurso igualmente. O consultor do Ministério da Saúde, professor Luiz Otávio Maciel, apresentou o andamento do projeto no Brasil.
Anualmente, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o governo federal gasta cerca de R$ 33 bilhões com atendimento e pagamento de benefícios a vítimas de acidentes no trânsito. Segundo Ana Lúcia Ferreira, chefe do Departamento de Epidemiologia da Sespa, acidentes fatais envolvendo motociclistas são uma epidemia em todo o território nacional. “Isso acontece muito nos municípios do interior por causa do excesso de velocidade e da associação de álcool com direção. Graças ao ‘Vida no Trânsito’, nós vamos poder manter um estudo integrado com as informações de cada localidade e pensar em políticas públicas adequadas para cada cidade”, explica. O secretário de Estado de Saúde Pública, Hélio Franco, cita o superlotamento dos leitos do Hospital Metropolitano como reflexo do problema.
Para Mauricélia Rodrigues, analista técnica em administração e finanças do Detran, o recurso federal é importante porque facilitará o trabalho de integração entre os órgãos responsáveis por garantir a paz no trânsito. “Nós já havíamos recebido anteriormente R$ 500.000 e com o andamento do projeto o Ministério da Saúde volta a realizar um novo investimento progressivo. Qualificar a informação que cada órgão tem e não deixar que ela fique isolada é fundamental para pensar em ações específicas para cada localidade”, conta.
CTBel, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Municipal de Urbanismo e representantes da Associação Paraense de Motociclistas e de outras entidades estiveram presentes.
“O ‘Vida no Trânsito’ visa principalmente a prevenção. Apesar de ser uma experiência ainda recente, nós já comprovamos que é possível reduzir o número de mortes a partir de ações coordenadas e estruturadas”, explica Luiz Maciel. De acordo com o consultor, o projeto também é resultado da participação do Brasil em um projeto coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela fundação Bloomberg em dez países. “Em dez anos, o crescimento de mortes e de lesões em decorrência do trânsito foi absurdo. A predisposição do governo federal em tentar buscar uma solução para o problema foi um sucesso e tornou o país referência para os demais, de acordo com avaliação preliminar feita pela OMS em agosto”, completa Maciel.
Instituições fazem ações educativas em vários pontos
Conscientização, educação e informação. A Semana Nacional de Trânsito, de 19 a 27 deste mês, mobiliza vários órgãos de trânsito para trabalhar no que parece ser a chave para reduzir os acidentes: prevenção. A Polícia Rodoviária Federal, através da Comissão Regional de Educação para o Trânsito (Cret), realiza palestras, pedágios educativos e ações informativas.. A programação ocorre em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e Departamento de Trânsito do Pará (Detran/PA).
Ontem pela manhã, houve pedágio educativo no posto da PRF de Benevides, na rodovia BR 316. Hoje, será feita palestra no Serviço Social do Transporte (Sest) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) em Icoaraci. Na próxima segunda-feira (24), haverá ação especial em frente à Faculdade da Amazônia (Faam). Lá, no KM 7 da BR – 316, uma estudante foi atropelada em Maio deste ano enquanto atravessava uma faixa-cidadã. “Vale destacar nessa ação a participação do Dnit, que é o órgão responsável por manter a estrutura viária de rodovias federais”, explica Erlon Andrade, membro da Cret da Polícia Rodoviária.
(Diário do Pará)
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