A nota do ensino médio em nove estados do país diminuiu de 2009 para 2011. O Pará está entre estas unidades da federação que apresentaram queda na qualidade do ensino. Além dele estão nesta situação: Acre, Maranhão, Espírito Santo, Alagoas, Paraná, Paraíba, Bahia e Rio Grande do Sul. Mas foi sem dúvida do Pará a pior avaliação do Brasil, segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - Ideb 2011, divulgados pelo Ministério da Educação. A meta era de 3,7 pontos, mas as escolas públicas e privadas do Pará conseguiram apenas 2,8 de avaliação para o Ensino Médio.
A cada 100 alunos que entram no Ensino Fundamental, apenas 44 continuam nos bancos escolares até o Ensino Médio. Desses 44 - metade -abandona as salas de aula e somente 12 chegam à universidade, conforme dados coletados no ano passado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Um dos principais motivos para esses índices, segundo o Inep, é a inadequação do Ensino Médio à realidade dos jovens.
Mas o que fazer para tentar melhorar esses índices? A Câmara dos Deputados criou uma comissão especial com o objetivo de ajudar a resolver este problema grave em um país que tem mais de 30 milhões de pessoas com mais de 15 anos que só conseguem escrever o próprio nome e entender textos curtos e simples - o chamado analfabetismo funcional.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram que a região Norte registrou aumento nessa taxa, passando de 24% das pessoas com analfabetismo funcional em 2009 para 25,3% em 2011. Já nas regiões Sul e Centro-Oeste, a taxa não teve variações significativas nos últimos três anos e se manteve em 15% e 18%.
Ao contrário da taxa de analfabetismo, que caiu 1% no Brasil, o número de analfabetos funcionais, como são chamadas as pessoas que conseguem compreender apenas as informações do dia a dia, como o nome da linha de ônibus e escrever um bilhete, se manteve o mesmo nos últimos três anos.
Na região Nordeste, a situação é mais grave: 30,9% das pessoas que estudaram ao menos quatro anos ao longo da vida são analfabetas funcionais, enquanto no Sudeste o índice é de 14,9%.
Para a maioria dos especialistas, a educação no Brasil não oferece atrativos para os alunos. Pelo contrário, desestimula aqueles que querem dar continuidade aos estudos. Muitos defendem que o Ensino Médio deva unir a teoria com o profissionalizante para que o jovem, ao terminar o curso, tenha uma profissão para iniciar a vida no mercado de trabalho.
“O Ensino Médio sofre de carências que vêm se acumulando, principalmente com a população mais pobre. A falta de um padrão mínimo de qualidade também atinge essa etapa escolar’’, afirma Luiz Araújo, colaborador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Para ele, problemas de infraestrutura, formação de professores e falta de investimentos são possíveis causas do baixo desempenho no Ensino Médio.
Melhorar o fluxo escolar é essencial, segundo Araújo, fazendo com que os alunos cheguem mais cedo à esta etapa escolar. “O Ensino Médio tem muitos problemas de matrículas, porque muitos alunos estão presos no Ensino Fundamental. As pessoas não conseguem entrar no Ensino Médio. Quando entram, os mais pobres também não conseguem terminar essa etapa”, afirmou.
Segundo ele, muitos jovens que entram atrasados no Ensino Médio precisam estudar no período noturno e dividir a atenção entre escola e trabalho. Esse fato acaba interferindo na qualidade do ensino e na evolução dos indicadores de desempenho, como o Ideb. ‘’Não é possível um jovem trabalhar oito horas por dia e ter um bom desempenho escolar. O aluno precisa estar muito motivado e a escola tem que ser atrativa, para que o jovem fique mais quatro horas nela e tenha bom desempenho’’.
(Diário do Pará)
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