No Pará vivem cerca de 1,4 milhão de jovens entre 15 e 24 anos. Desses, aproximadamente 54% tem alguma atividade rentável. A outra metade continua fora da população economicamente ativa. 236.196 são mulheres – correspondendo a 36,49% do total. Destes, 81,3% viviam na zona urbana e 18,7% viviam na zona rural.
Mesmo com dados consolidados, os números não são capazes de traduzir a dificuldade que essa idade enfrenta para encontrar a vaga que tanto almeja. Seja estágio ou o primeiro emprego, o processo é árduo. As exigências estão mais rígidas e a seleção mais longa. Ainda que o caminho esteja mais duro, o número de jovens procurando emprego ou oportunidade de estágio é grande.
Segundo a Analista de Recursos Humanos do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) - uma associação civil sem fins lucrativos, criado para desenvolver a integração indústria e universidade – Aline Barros, a busca pelo espaço no mercado é intensa. “Por dia fazemos cerca de 50 atendimentos. É tanto jovem procurando que em uma manhã de ação, na Praça Batista Campos, atendemos 2311 pessoas e cadastramos 940 candidatos a estágios”, afirma.
O mercado oferece vagas para alunos de ensino médio, universitários e recém-formados. Mas as realidades são diferentes. “Para emprego, há mais procura do que oferta; mas no caso do estágio, tem muito mais vaga do que estudante procurando”, revela. Os alunos de ensino médio são, preferencialmente, lotados em vagas para rotinas administrativas e ainda fazem rodízio em vários setores da empresa. “Nesse período, o estágio funciona também como um teste vocacional, a experiência os ajuda a descobrir que profissão querem seguir”, diz.
Para o preenchimento de todas as ofertas de trabalho, existem algumas dificuldades comuns. A inexperiência e a timidez na hora da entrevista, por exemplo. “A gente sabe que o jovem não tem muita experiência, mas ele precisa ser qualificado. Buscar cursos extras.
Saber de informática, se possível outras línguas. Ele precisa ser informado, se mostrar disposto. O comportamento é o primeiro contato”, alerta a analista. No IEL, antes que um candidato seja enviado à entrevista em uma empresa, ele é pré-selecionado no próprio instituto com dinâmicas de grupo, avaliação psicológica e uma primeira entrevista.
Outro ponto problemático entre os jovens é a indecisão diante do ambiente de trabalho. “Principalmente no estágio, eles desistem muito fácil. Querem trocar, no primeiro mês. Quando a gente precisa de no mínimo seis meses para se ambientar e poder avaliar o local de trabalho. No estágio isso ainda é aceitável, mas em um emprego fica mais complicado desistir”, pondera.
(Diário do Pará)
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