Em uma área de 39 mil quilômetros quadrados, vivem 359 mil pessoas distribuídas em sete municípios, que formam a Região de Integração Lago de Tucuruí, que além do município homônimo, conta ainda com Breu Branco, Goianésia do Pará, Itupiranga, Jacundá, Nova Ipixuna e Novo Repartimento.
Em 1782, a construção de um forte para fiscalizar a navegação no rio Tocantins deu origem a vila de Pederneiras. Cem anos depois, o local se tornou freguesia de São Pedro e fazia parte do município de Baião, na época o principal núcleo populacional às margens do Tocantins. O rio, aliás, é ainda o segundo maior fluindo apenas no Brasil e também o que possui a maior hidrelétrica genuinamente brasileira.
Além da pesca e da usina hidrelétrica, principal geradora de riquezas, a economia do local gira em torno da indústria, com destaque para a construção civil e os laticínios. Em seguida, vem o setor de serviços, liderado pelo comércio e agropecuária. O extrativismo vegetal e a agricultura também contribuem com o Produto Interno Bruto da região no valor de R$3, 713 bilhões.
TUCURUÍ
A usina de Tucuruí é quarta maior do mundo em potência. Com capacidade de gerar quase 8.400 Megawatts, atende os mercados do Maranhão, Tocantins e Pará, beneficiando, principalmente, os grandes projetos minero-metalúrgicos do sul do estado. E por meio do Sistema Interligado Nacional, a usina também fornece energia para quase todas as regiões do país.
Segundo Antônio Augusto Pardauil, superintendente de geração hidráulica da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, a usina tem características especiais: ela é a maior usina genuinamente brasileira em funcionamento, está localizada na Amazônia e tem uma peculiaridade interessante porque possui um reservatório, de quase 3 mil km², onde se formaram mais de 1600 ilhas. “A importância de Tucuruí hoje é inegável. Ela é responsável pela segurança energética do Brasil, afinal geramos 10% da energia do país. Foi um grande aprendizado para todo sistema Eletrobrás como fazer grandes empreendimentos na Amazônia, mesmo o projeto tendo começado na década de 70”, lembra.
Tucuruí foi feita em duas etapas, somando mais de 20 anos até a conclusão da última unidade. “Foi uma decisão muito acertada porque se não tivéssemos Tucuruí hoje estaríamos pagando um preço caro por isso, faria falta. Considero que existem duas fases, antes e após a usina. O município e o entorno da região mudaram bastante. A cidade cresceu em função da usina. O legado da obra, como investimentos em infra estrutura e a migração de profissionais acabaram permanecendo no local e contribuíram para o crescimento de Tucuruí”, diz. Um dos pontos importantes que o superintendente cita é a instalação e consolidação da Universidade Federal do Pará (UFPA), com cursos regulares de engenharia. “A Eletronorte teve a possibilidade de atuar como parceiro neste processo e isso vai continuar, em médio prazo, a melhora da qualificação do emprego não apenas na região, mas para todos os empreendimentos de energia no Pará e no Brasil”, complementa.
Por isso, ele ratifica a importância dos paraenses conhecerem a riqueza que é Tucuruí, não apenas a usina, mas a eclusa, a magnitude, e os resultados que ela trouxe. “É um prazer mostrar isso à sociedade, porque é algo que pertence a todos”. Para tanto, é necessário apenas um agendamento para o visitante pode conhecer o espaço. E então se encantar com ele.
NOVO REPARTIMENTO
Cerca de 90% da população vive no meio rural, em projetos criados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e estão ligados direta ou indiretamente à atividade agrícola. Com 700 mil cabeças de gado, Novo Repartimento tem o terceiro rebanho do Estado e um dos maiores frigoríficos do país. Para garantir que essa potencialidade se torne geração de riqueza, os produtores discutem desde o início do ano a regularização fundiária e ambiental necessária para que o município dê um salto de qualidade de sua pecuária. “Nosso produto só tem crédito porque é mais barato. Precisamos de segurança para investir. Queremos que o governo esteja do nosso lado, queremos fazer bem feito e buscar novos mercados”, afirmou o presidente do sindicato local, Carlos Costa.
E uma das estratégias para isso foi a assinatura de uma parceria entre a Agência de Desenvolvimento Sustentável do Lago de Tucuruí e o Programa Municípios Verdes, do Governo do Estado. Segundo o Secretário Extraordinário para Coordenação do Programa, Justiniano Netto, este foi o início de uma mobilização para que todos os municípios tenham um comportamento mais consciente. “A região ainda compreende muitos municípios pouco engajados no programa, principalmente porque temos dificuldades em firmar parcerias com boas instituições”, disse. Com a nova parceria a expectativa é capacitar os conselhos de meio ambientes da região e desenvolver as ações previstas no programa.
“Novo Repartimento é um dos exemplos positivos, seguido de Moju. Eles contam com secretarias do meio ambiente empenhadas e dinâmicas. Não há dúvidas que houve um impactos ambiental e principalmente social com a construção da usina e ainda hoje vemos as consequências disso nos municípios. Pois muitos não se preparam paras mudanças. Mas o nosso objetivo é justamente proporcionar a regularidade fundiária e ambiental, agregando valor econômicos às atividades sustentáveis e valorizando as potencialidades da região”, concluiu. A proposta é realizar ainda este ano oficinas de gestão ambiental para formar uma agenda mínima de compromisso para os próximos dirigentes municipais eleitos.
(Diário do Pará)
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