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Com o fim da greve, UFPA tenta recuperar semestre

Alunos passeando pelos corredores, salas de aula funcionando e professores trabalhando para rever conteúdos atrasados. Com o fim da greve dos docentes das instituições federais do Estado, decidido em assembleia semana passada, as atividades normais dos ca

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Alunos passeando pelos corredores, salas de aula funcionando e professores trabalhando para rever conteúdos atrasados. Com o fim da greve dos docentes das instituições federais do Estado, decidido em assembleia semana passada, as atividades normais dos campi recomeçaram ontem. Agora, o desafio é conciliar os calendários letivos e repor aulas para que os alunos, preocupados, não sejam prejudicados. No campus principal da UFPA, em Belém, o movimento de estudantes entrando e saindo mostrava que a instituição recuperava o ritmo normal. A Escola de Aplicação, antigo NPI, também retomou os trabalhos. Já na UFRA (Universidade Rural da Amazônia), a tranquilidade era maior por conta da semana científica da universidade.

O assessor técnico da Pró-Reitoria de Ensino (Proeg) da UFPA, professor Mauro Magalhães, informa que uma proposta de calendário já foi encaminhada ao Consepe (Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão). “Até o dia da paralisação, 17 de maio, nós tivemos 58 dias de aula. O período letivo tem 100 dias. Então, a proposta é que nós concluamos estes dias restantes até 14 de novembro”, antecipa. Caso aprovada a proposta, o segundo semestre começará no dia 19 de novembro e deverá encerrar no dia 30 de março. Logo em seguida, no dia oito de abril, começaria o primeiro de 2013, com ingresso de novos alunos.

De acordo com o professor, aulas no sábado estão no calendário, no entanto, deverá haver um recesso do dia 22 de dezembro a seis de janeiro. “Nós tivemos formaturas mesmo durante a greve, graças a acordos firmados entre os professores, instituição e os alunos. Fizemos isso pra não prejudicar quem iria fazer pós-graduação ou havia passado em concurso público, por exemplo”, ressalta o assessor técnico.

Para o estudante de engenharia elétrica Leopoldo Paixão, 17 anos, os professores estavam certos em reivindicar suas propostas. “Eu só acho que eles abusaram um pouco. Eu concordo com a greve, só não concordo com a forma com que ela foi feita. Eles estenderam muito e nem conseguiram a principal reivindicação, que era o plano de Cargos, Carreiras e Salários”, opina.

“O início foi bem tranquilo. Os professores estavam em sala de aula, fizeram revisão dos últimos conteúdos, então tá tudo caminhando”, conta a estudante Renata Duarte, 21 anos. Renata, que faz o 6ª semestre do curso de pedagogia, está preocupada com o atraso do calendário letivo. “Eu, que iria me formar no meio do ano que vem, por exemplo, já não vou mais. Isso acaba atrapalhando nossos planos, prejudicando nossas férias e até nossos estágios”, avalia.

Na UFRA, alunos ainda sem aula

As aulas da Ufra devem começar efetivamente apenas na próxima segunda-feira (01). Ontem iniciou-se a semana científica, com apresentações de trabalhos acadêmicos e atividades curriculares que devem durar até o próximo sábado (29). De acordo com o calendário da universidade, o primeiro semestre encerra dia 11 de novembro e cerca de uma semana depois se inicia o segundo semestre.

Segundo a professora Adélia Coelho, vice-presidente da Associação dos Docentes da Ufra (Adufra), a greve foi positiva por colocar na agenda do governo federal aumentos programados para os servidores ao longo dos próximos três anos. “Nós não chegamos a um acordo efetivamente. As nossas maiores reivindicações, que eram a criação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários e melhores condições de trabalho ainda não foram atendidas. Vamos acompanhar as alterações no PL (Projeto de Lei 4368/12) que preveem essas alterações e devem acontecer em 180 dias”, explica.

Para a vice-presidente, a burocracia emperra as articulações entre as instituições e o MEC (Ministério da Educação). “Hoje mesmo estava lendo uma reportagem na Folha de São Paulo afirmando que há um bilhão de reais do BNDS, destinados à educação, que estão retidos. Isso atrapalha muito o repasse de recursos para nossos laboratórios, salas de aula e bolsas de pesquisa, por exemplo”, completa.

(Diário do Pará)

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