Um apagão de pouco mais de uma hora atingiu parte do estado do Pará no sábado (22). O corte de energia foi de mais de 1.440 MW/Hora, o que significa que mais de 3 milhões de paraenses podem ter ficado sem energia. Além do Pará, vários estados do Nordeste também foram atingidos, somando outros 7.5 milhões de prejudicados. A causa, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS) – uma espécie de “bolsa de valores” que distribui a energia gerada em todas as usinas do país – foi um curto circuito em um transformador na subestação de Imperatriz, no Maranhão.
O ONS informou que o fornecimento de energia foi interrompido entre as 15h50 e 16h58. Todos os estados nordestinos foram afetados de alguma forma. No Norte, o Pará foi o único prejudicado.
A escolha sobre as localidades que sofreram o corte é feita pelas próprias distribuidoras (no caso do Pará, a Celpa) que, em geral, optam por fazê-lo em áreas de menor densidade populacional e de menor influência na economia. A estratégia é adotada para evitar maiores impactos sociais e econômicos.
Até o fechamento desta edição a Celpa – responsável por repassar informações sobre qualquer tipo de ocorrência na rede de energia do Pará – não havia retornado às insistentes ligações para informar quantos municípios paraenses foram atingidos pelo apagão e qual o critério usado para o corte.
De Nova York, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, convocou uma reunião de emergência em Brasília para avaliar as causas do apagão. Coube ao secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), Ildo Grüdtner, explicar ontem as causas. “O problema levou ao desligamento programado de algumas linhas de transmissão, até que o sistema interligado pudesse reconfigurar as cargas de energia para esses pontos”.
Segundo ele, a falha foi rapidamente identificada e o equipamento será substituído. O ministro interino do MME, Márcio Zimmermann, disse que a Eletronorte informou que o equipamento estava com a manutenção em dia. Segundo ele, a ocorrência será investigada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Hoje, representantes do ONS, da Eletronorte e de distribuidoras dos estados afetados vão se reunir para apresentar informações mais detalhadas sobre a falha.
Pará é prejudicado, mesmo abastecendo todo o Brasil
Difícil explicar para o consumidor paraense que, apesar de ver as linhas de transmissão da usina de Tucuruí cortarem o território do Pará, levando energia para o Brasil inteiro, são eles, em um momento como esses, os mais prejudicados.
A Usina Hidrelétrica de Tucuruí está mantendo sua média normal de geração de energia, ou seja, em torno de 4.500 MW/hora, de acordo com o Boletim Mensal do ONS. Só que essa energia é usada, em sua maioria, para abastecer a produção dos consumidores eletrointensivos, que são as grandes indústrias que utilizam muita energia elétrica, pagando as menores tarifas do setor.
O Operador não quis informar o volume de energia gerado por Tucuruí no sábado, dia do apagão.
O DIÁRIO não conseguiu obter da Eletronorte - responsável pela operação da usina de Tucuruí - nenhuma informação a respeito da geração de energia no momento do apagão. Procurada, a estatal ignorou o pedido de informações. A Eletronorte também participa da construção de outro grande empreendimento no Estado – a usina de Belo Monte, que, à exemplo de Tucuruí, vai tirar a energia do solo paraense para beneficiar outros estados do país.
O governo federal já anunciou que vai construir pelo menos mais oito novas usinas no Pará. Verbas do PAC já foram destinadas à: São Luiz do Tapajós (R$ 18,1 bi), Jatobá (R$ 5,1 bi) e Marabá (R$ 2,27 bi).
A terceira é a de Marabá. Possui o maior reservatório entre as novas e poderá deslocar 40 mil pessoas que vivem às margens do Tocantins em nove municípios de Pará, Tocantins e Maranhão.
(Diário do Pará)
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