Às 16h30, no Pronto-Socorro da 14 de Março, Marciele Pinto, 36, operadora de caixa, esperava desde as 10h a chegada de um médico anestesista para que seu filho Bruno, 12, pudesse fazer uma cirurgia. “Ele estava na escola quando sentiu uma dor incontrolável no testículo esquerdo”. Marciele abandonou o trabalho para acompanhar o filho.
Ontem, a Cooperativa de Médicos Anestesistas do Pará (Coopanest), que desenvolve as atividades de anestesia da rede municipal, parou o serviço alegando falta de condições de trabalho. O atendimento de urgência nos prontos socorros ficou comprometido. Por conta da falta de anestesistas, procedimentos cirúrgicos como o de Bruno ficaram à deriva. “A médica me falou que viria uma anestesista agora à tarde e ela ia poder começar a cirurgia”, disse a mãe. Em jejum, Bruno espera.
SEM CONDIÇÕES
O médico anestesiologista e presidente da Coopanest, Luiz Paulo, alega que, por uma questão de contrato, eles eram obrigados a parar as atividades, caso não tivessem condições mínimas. O contrato de serviço prevê também , segundo ele, que as atividades sejam retomadas após o restabelecimento dessas condições. “Estamos abaixo das condições mínimas exigidas pelo Ministério da Saúde. Além de expor os pacientes, estamos nos expondo a receber processos e perder por exercer nossa função sem condições”.
SESMA
A Secretaria Municipal de Saúde emitiu nota afirmando que as denúncias da Coopanest são irreais, prometendo enviar fotos e relatórios para o Conselho Regional de Medicina, comprovando o funcionamento dos equipamentos. A nota afirma que, apenas no mês de setembro, mais de 100 procedimentos cirúrgicos foram realizados no PSM do Umarizal.
A Sesma informa ainda que tem interesse em refazer o contrato de prestação de serviço com a categoria, que venceu no último dia 16 de setembro, mas que até o momento a cooperativa ainda não enviou documentos para o contrato ser refeito.
(Diário do Pará)
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