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Estado não consegue conter violência

A Polícia Militar do Pará tem hoje um contingente de 14 mil homens espalhados por 144 municípios, mas precisaria de pelo menos mais dez mil para combater com eficácia a criminalidade. Este ano, o governo estadual abriu concurso para incorporar à tropa mai

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A Polícia Militar do Pará tem hoje um contingente de 14 mil homens espalhados por 144 municípios, mas precisaria de pelo menos mais dez mil para combater com eficácia a criminalidade. Este ano, o governo estadual abriu concurso para incorporar à tropa mais 2 mil soldados. O número ideal para garantir a segurança de uma população, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) é de 1 policial para cada 250 habitantes, mas no Pará isso deixa muito a desejar: supera 420 habitantes para cada policial nas ruas.

Ocorre que a bandidagem que assola o Estado parece estar bem à frente daqueles que vestem farda ou utilizam colete de policial civil, seja em número ou em armamento, para praticar crimes ousados como assaltos cinematográficos e dinamitação de bancos, execução de pequenos traficantes e viciados em drogas, além de homicídios de toda sorte, que deixam a população apavorada nas grandes, médias ou pequenas cidades paraenses.

O professor José Ferreira Lima, que mora em Ananindeua, diz que não se atreve a sair na rua depois que a noite cai. “Os bandidos entram em cena e parece que a polícia não dá conta de reprimi-los. Eles estão sempre em número bem maior”, afirma. Quem mora mais distante da capital tem a percepção de que o braço armado do Estado é ainda mais deficiente para defender a população.

Não se sabe como é feita a distribuição de policiais militares pelos municípios, embora seja claro que, além da carência de pessoal, falta investimento mais ousado, valorização da mão de obra policial e estratégias de inteligência eficazes para combater os criminosos. Em São Félix do Xingu, cujo tamanho em extensão territorial só perde para Altamira, o motorista de ônibus Gilberto Favacho já experimentou momentos de horror nas mãos de assaltantes de estradas. Dá “graças a Deus” por ainda estar vivo.

MÃOS ATADAS

Ele conta que, ao parar o ônibus para pegar passageiros em um ramal da estrada da Vila Taboca, homens armados saíram da mata e renderam todos os passageiros, roubando-lhes relógios, celulares, dinheiro e até roupas. A polícia apareceu mais de cinco horas depois do assalto e, ao ser informada sobre o caminho de fuga dos bandidos, alegou que não tinha combustível nem munição suficiente para sair no encalço dos criminosos.

Há deficiências dramáticas na estrutura da segurança pública. Exemplo disso foi o episódio ocorrido há três meses em Jacareacanga, no extremo oeste do Estado. Furiosos com a resposta da polícia em investigar a morte de um índio, abatido a tiros e facadas por assaltantes, homens da etnia mundurucus invadiram, colocaram para correr os militares do destacamento local e em seguida atearam fogo no prédio, destruindo-o completamente.

A intervenção do poder público foi rápida, restabelecendo ainda que parcialmente a confiança da população do município na polícia. Mas a verdade é que, se houvesse uma presença mais organizada e eficaz de policiais militares e civis, oferecendo respostas imediatas às necessidades dos moradores, o vandalismo sequer teria acontecido.

(Diário do Pará)

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