As obras do Complexo Viário do Entrocamento estão paradas desde a manhã de ontem, por decisão do juiz juiz Elder Lisboa, titular da 1ª Vara de Fazenda Pública de Belém. Mesmo assim, a Prefeitura Municipal de Belém garante que deve se reunir com a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), até o final dessa semana, para resolver os pontos discordantes da construção do anel viário.
Há um impasse técnico no projeto, que resultou na ação judicial da Cosanpa, pedindo o embargo da construção de um dos pilares do elevado do complexo. Da maneira como está posta, a obra inviabilizaria qualquer ação emergencial na adutora que fornece água potável para mais de 350 mil consumidores e passa pelo Entrocamento.
Em entrevista coletiva à imprensa, o presidente da Cosanpa, Antônio Braga, explicou que a solicitação de revisão do projeto foi enviada no dia 03 de setembro. “A Cosanpa precisa analisar as interferências e consequências da construção do bloco, mandamos a solicitação já com duas propostas. Como não fomos respondidos, entramos com a ação”, relata. Em nota, a PMB, informou que não havia se manifestado sobre ofício porque estudava a melhor forma de atender a solicitação.
As duas propostas da Cosanpa consistem em afastamento de três metros entre o bloco do pilar e a adutora. “Ou reposiciona o pilar, ou desloca a adutora. E com o custo da obra para a empresa construtora. Mas do jeito que está não temos acesso, caso seja preciso fazer uma manutenção”, afirma. Se a obra fosse concluída, e surgisse uma necessidade emergencial, seria preciso demolir o trecho da obra em questão. Um problema para o trânsito e para o abastecimento de água de Belém, Ananindeua e Marituba.
Segundo Braga, as obras do BRT estão sendo acompanhadas desde o início do ano, quando a prefeitura solicitou o mapa da rede de esgoto da área do entrocamento. “Enviamos o cadastro da rede do entrocamento e das avenidas Almirante Barroso e Augusto Montenegro e aproveitamos para pedir uma cópia do projeto, para que soubéssemos de possíveis interferências. Mas não recebemos o material”, revela.
Por volta do mês de julho, a Cosanpa recebeu diversas reclamações de falta de água no bairro de Castanheira e foi checar o motivo. “A equipe técnica percebeu que havia um corte na rede de 100 mm na área do Entrocamento causado pela obra. Fizemos a perícia técnica, nos reunimos com a prefeitura e a empresa construtora. O problema foi reparado por eles. Foi nessa época que a equipe da Cosanpa também desconfiou que o pilar passaria pela adutora”, conta. Para o diretor de operações da Cosanpa, Antônio Crisóstomo, não há possibilidade de manter a adutora envelopada como está no projeto. “Rede é rede. Ela trabalha com pressurizada e não dá para saber quando vai aparecer um dano”, avalia.
(Diário do Pará)
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