Cansados de esperar pela ação dos órgãos de fiscalização, mais de 100 guerreiros da etnia Tembé incendiaram quatro caminhões e três tratores, além de prenderem 25 pessoas que retiravam madeira ilegalmente na parte da Reserva Indígena Alto Rio Guamá localizada às margens do rio Coaraci-Paraná, no município de Nova Esperança do Piriá. Após a incineração dos veículos, as pessoas que atuavam, provavelmente a mando de madeireiros da região, foram liberadas pelos índios. Armados, os Tembé localizaram o acampamento ocupado por invasores na quarta-feira (25).
A Reserva Indígena Alto Rio Guamá abrange um total de 279 mil hectares e está localizada em parte dos municípios de Santa Luzia do Pará, Nova Esperança do Piriá e Paragominas.
HISTÓRICO
Depois de verem 52 mil hectares de floresta de suas terras devastadas durante 51 anos por milhares de invasores, sobretudo por madeireiros e fazendeiros, a partir de meados da década de 70, os Tembé receberam há dois anos a notícia que mais esperavam durante décadas: o Tribunal Regional Federal (TRF) confirmou em Brasília sentença prolatada pelo juiz federal Rubens Rollo D’Oliveira, em 1996, garantindo reintegração de posse em ação impetrada em 1978 pela Funai contra o fazendeiro de origem polonesa Mejer Kabacznik - hoje falecido -, o principal invasor da reserva Alto Rio Guamá. Foram 32 anos de espera pela decisão, cujo juiz-relator do processo foi Rodrigo Navarro de Oliveira.
Mas até hoje a sentença não foi executada e a reserva continua invadida e com a iminência de conflito armado entre índios e invasores.
(Diário do Pará)
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