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Procuram-se jovens com formação técnica

Por ano, cerca de 3,4 milhões de jovens - entre 18 e 24 anos - ingressam na universidade. Mais de 20 milhões, entretanto, podem buscar outro caminho, avalia o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) que no último dia 20 divulgou o Mapa do Trab

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Por ano, cerca de 3,4 milhões de jovens - entre 18 e 24 anos - ingressam na universidade. Mais de 20 milhões, entretanto, podem buscar outro caminho, avalia o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) que no último dia 20 divulgou o Mapa do Trabalho Industrial 2012. A publicação prevê até 2015 a criação de 7,2 milhões de vagas em nível técnico e áreas de média qualificação industrial para todo o país.

De acordo com o levantamento, no Pará, a necessidade de formação e qualificação técnica de profissionais deve alcançar 104,4 mil pessoas gerando um impacto de oportunidades em pelo menos 12 ocupações diferentes, com destaque para técnicos em eletrônica, segurança no trabalho, controle de produção, eletricidade e eletrotécnica e monitoração de computadores. Além de mecânicos de manutenção de máquinas industriais e manutenção de veículos automotores. Diante do cenário favorável, criar estratégias de atração entre os jovens que entram no mercado de trabalho é um dos principais desafios para o setor.

“Nós ainda vivemos hoje os resquícios do forte preconceito contra a educação profissional em vários ramos. O jovem de hoje, menos que o do passado é verdade, ainda não quer ser mecânico porque não sabe quanto vale nem qual é a propriedade social que um profissional como esse possui. A profissão de soldador, por exemplo, era vista com desdém há alguns anos, mas o profissional hoje não recebe menos que R$ 3 mil em um empresa.

É informação que ainda falta ao jovem”, avalia o diretor regional do Senai Pará, Gerson Peres, referindo-se ao despertar ainda incipiente dos jovens brasileiros em relação ao ensino técnico em todo o país. A estimativa é de que no Brasil, 6,6% dos jovens entre 15 e 19 anos estejam em cursos de educação profissional, contra 53% na Alemanha, por exemplo.

Para Peres, a rápida aceitação no mercado de trabalho pode ser utilizada favoravelmente para manter o ritmo de “alta” no segmento. Uma pesquisa realizada pelo Senai no ano passado, mostrou que 80% dos formados nos cursos técnicos da instituição em 2010 estavam trabalhando em 2011, recebendo em média, 2,47 salários mínimos ao mês (o equivalente a R$ 1346,15 na época). “O crescente desenvolvimento paraense no setor industrial faz com que a demanda não estacione. A instalação de importantes empresas de metalurgia na região sudeste do Estado aumenta rapidamente a oferta de emprego forçando a capacitação e qualificação do mercado. Este ano, estamos ofertando 59 mil matrículas, ano que vem serão 85 mil e fecharemos 2014 com 110. Não vai faltar oferta de qualificação para quem deseja uma vaga”, garante.

Segundo o estudo, a maior parte das oportunidades (6,1 milhões) devem ir para trabalhadores que já estão no mercado de trabalho, mas que precisam investir em qualificação para acompanhar o acelerado avanço tecnológico das indústrias. O restante (1,1 milhão), será aproveitado por novos integrantes. A demanda é 24% superior a dos últimos três anos, quando foram geradas 5,8 milhões de vagas.

Muitas vagas no interior do Estado

Chefe do departamento de relações empresariais do Instituto Federal do Pará (IFPA), Marcos Pereira, afirma que um dos principais desafios para o avanço do ensino técnico no Estado é a adequação entre o curso versus o mercado, especialmente entre os jovens. “É muito comum a gente vê entre os jovens a eleição do ‘curso da moda’. Aconteceu com cursos de telefonia e informática, por exemplo. O problema é que isso acaba provocando uma formação mal distribuída. Nosso maior desafio hoje é fazer um permanente estudo de demanda de modo a alinhar mercado e profissionais”, afirma.

Atento ao mercado e responsável por manter o elo entre milhares de futuros profissionais e diferentes empresas, Marcos, observa o crescente destaque de áreas como metalurgia e química em toda a região, mas diz que cursos técnicos de infra estrutura como agrimensura, geodésia e edificações não perdem espaço local, embora sejam menos procurados pelos estudantes. Para ele quem busca um curso técnico no Estado precisa estar consciente de que terá vaga garantida, mas não necessariamente na região metropolitana de Belém.

“No Estado não falta vagas para quem tem nível técnico. Por vezes o que falta é a disponibilidade para esses profissionais assumirem seus postos. Nem todo mundo, especialmente o jovem, quer mudar-se para o interior do Estado onde muitas vezes surge a oportunidade. Nas pesquisas com nossos estudantes, vimos que são os mais velhos que mostram essa disponibilidade, mas são esses mesmos os que têm mais dificuldade para enfrentar o processo seletivo por estarem mais tempo fora da sala de aula”, atesta Marcos que também destaca outra mudança no mercado. “Hoje não basta dominar a técnica.

As empresas pedem conhecimentos em informática, outros idiomas, relacionamento pessoal. Isso porque a tendência é de que o estagiário seja efetivado e o contratado seja promovido. Para um técnico de metalurgia chegar a um posto de gerente, ele precisa, por exemplo, conhecer gestão de pessoas. A reciclagem e a capacitação continuada é fundamental na área”, completa.

Formações têm quebrado barreiras

A técnica em mineração, Charlene Guimarães, 24 anos, admite. Jamais pensou em ser técnica em qualquer área. Queria seguir carreira nas engenharias. A dificuldade dos processos seletivos federais e o custo dos cursos privados acabaram afastando a jovem do plano inicial. Mas não por muito tempo. Após dois anos de curso técnico em metalurgia e seis meses de estágio, ela foi efetivada em uma das principais mineradoras implantadas na região sudeste do Estado e já está concretizando o sonho da formação em engenharia.

“Confesso que entrei no curso técnico meio desconfiada e sem gostar, mas em pouco tempo estava super satisfeita com curso e hoje agradeço a minha mãe e ao meu irmão pelo incentivo. Se soubesse não teria perdido tanto tempo antes de buscar. O curso técnico me possibilitou muitas conquistas. Hoje estou cursando engenharia de produção graças à instabilidade do emprego conquistado pelo curso técnico”, comemora a recém contrata.

De olho nesse mercado, Daniel Araujo, 18 anos, seguiu na ‘contramão’ da maioria dos rapazes de sua idade e não mostra arrependimento. Morando no Rio de Janeiro, ele terminou o ensino médio e não pensou duas vezes antes de trocar o vestibular tradicional pelo processo seletivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (antiga escola técnica) e agora, em Belém, dá continuidade ao curso de eletrotécnica, vislumbrando um futuro promissor na carreira. “Pensei na escola técnica pelo interesse de me projetar no mercado de trabalho. O ensino superior virá depois, quando já estiver com o meu lugar garantido”, afirma o jovem que cursa a chamada modalidade subsequente do curso – aquela oferecida a alunos que já concluíram o ensino médio.

Menos convencional, mas possível no IFPA, há também a chamada modalidade integrada. A “junção” do ensino médio com o técnico foi a aposta do jovem Luis Paulo Costa, 18 anos, que escolheu o curso técnico em química. “Terminei o ensino fundamental e fiquei meio na dúvida sobre o que fazer. Pesquisei e vi que a área era promissora pelas várias possibilidades . Hoje me vejo inserido no mercado de trabalho em breve e seguindo carreira. Meu certificado não será apenas de ensino médio, serei técnico”, afirma o jovem, com convicção.

Opções de qualificação industrial no Pará
Senai
Técnico em eletromecânica; técnico em segurança do trabalho; técnico em logística; técnico em eletrotécnica, técnico em mineração.

IFPA
Técnico em automoção industria; técnico em química, técnico em metalurgia; técnico em eletrotécnica; técnico em mecânica, técnico em eletrônica.

(Diário do Pará)

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