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Síndrome de Down ganha cartilha

Com as várias medalhas no peito e segurando a foto que registra a sua participação em apenas uma das apresentações de dança que já fez, a estudante Leila da Costa se orgulha dos feitos já conquistados. Entrelaçadas, as moedas douradas e prateadas demonstr

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Com as várias medalhas no peito e segurando a foto que registra a sua participação em apenas uma das apresentações de dança que já fez, a estudante Leila da Costa se orgulha dos feitos já conquistados. Entrelaçadas, as moedas douradas e prateadas demonstram as habilidades adquiridas por ela ao longo de seus 35 anos, ora pelo bom desempenho em competições de natação, ora pela rapidez nas provas de corrida e atletismo. “Foi difícil ganhar, mas eu consegui ganhar”.

Com o olhar focado no sorriso da filha, Conceição Costa se lembra do momento em que ficou sabendo que a primogênita era portadora da Síndrome de Down em 1977. Naquele momento, na cama do hospital e ainda sem conhecer a filha, ela jamais imaginou que, hoje, a menina estaria tão bem. “Eu fiquei muito desorientada na hora porque não sabia muita coisa sobre a síndrome. Eu já tinha visto um menino que tinha a Síndrome de Down, mas eu não tinha muito contato com ele”, recorda. “Em 77 as pessoas escondiam muito essas pessoas da sociedade, hoje já está mais aberto”.

O contato de Conceição com materiais como a recém-lançada cartilha “Cuidados de saúde às pessoas com Síndrome de Down” naquela época poderia ter evitado, em sua opinião, o susto que passou por falta de informação. Em uma linguagem educativa e direcionada aos próprios portadores da síndrome, o livro do Ministério da Saúde apresenta características, esclarece mitos e dá orientações de saúde que podem ajudar o portador a levar uma vida saudável e plena.

Informações essas que seriam fundamentais para Conceição há 35 anos. “Se eu tivesse essas informações naquela época, teria ficado muito mais tranquila”, acredita. “Eu não imaginava que ela poderia ter uma vida independente como a que tem hoje”.

ROTINA

Com o caminho e os cuidados bem guardados na memória, é a própria Leila que se arruma e se dirige à escola onde pratica aulas de dança, natação e de trabalhos manuais todos os dias. Basta falar no colégio que ela já se anima para contar o que mais gosta de fazer. “Gosto do banho, da dança. É só subir a passarela e ir para lá”, aponta a direção.

Orgulhosa de tudo o que a filha aprendeu até hoje, Conceição também faz questão de enumerar suas habilidades. “Ela leva uma vida normal. Varre a casa, sabe se vestir sozinha, se calçar. Ela sabe se virar”. Independente dos cuidados redobrados para evitar problemas de saúde, como os já apresentados por Leila no início da vida,, Conceição não vê muita diferença entre a criação da primogênita e da filha caçula que hoje está com 30 anos. “Temos que fazer o tratamento. Há muito tempo ela teve problemas de saúde e chegou a ter convulsões. Mas desde então damos remédio pra ela e nunca mais aconteceu”, ressalta. “Ela é a minha companheirona”.

Os cuidados que o portador de Síndrome de Down precisa ter com a saúde também são destacados na cartilha que aponta doenças que o portador pode apresentar ao longo da vida. O livro ainda ressalta a importância de os portadores da síndrome consultarem periodicamente médicos, fonoaudiólogos, psicólogos, pedagogos, fisioterapeutas e nutricionistas.

(Diário do Pará)

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