Vinte e quatros membros da Cooperativa de Agricultura Familiar e da Cooperativa de Agricultores do PDS Virola-Jatobá em Anapu divulgaram ontem (1) uma carta aberta denunciando ameaças e solicitando apoio para a guarda de maquinário apreendido durante operação do Incra e do Ibama na região.
“Tornamos público nosso pedido urgente para que autoridades competentes estabeleçam imediatamente guarda ao maquinário apreendido e às áreas onde toras ilegalmente derrubadas foram estocadas, devendo ser devidamente vistoriados, identificados proprietários, como provas de crimes graves que são”, anunciam no documento. A justificativa utilizada pelos agricultores é no tocante aos ‘fatos que antecederam e culminaram com o flagrante de invasão criminosa das áreas florestais do PDS por grupos grandes e equipados de desmatadores contratados e equipados por empresas ou indivíduos ainda não identificados’.
“Foi a partir de nossa denúncia às autoridades que se desencadeou a fiscalização que flagrou e apreendeu seis entre tratores pesados e de arraste de toras, equipamentos e motosserras, encontrando pelo menos 18 trabalhadores sub-contratados em acampamentos clandestinos e insalubres, conforme relatório do chefe da equipe de Anapu do Incra”, afirmam as duas entidades.
Segundo os agricultores, duas das máquinas apreendidas já foram retiradas do local para onde foram levadas a pedido do Incra e Ibama no ato da apreensão. “Uma delas mediante uso da força e intimidação de nosso pessoal. Mostrando o risco que toda a comunidade do PDS está exposta”, informa a carta.
Ainda de acordo com o texto da carta, o manifesto foi enviado às autoridades estaduais e federais para ‘assegurar a condição de vítimas de invasão criminosa fartamente documentada’ e prevenir o desaparecimento ou destruição de provas, montagem de esquema de ‘laranjas’ para os autores do crime ambiental.
Para a cooperativa de agricultores, se for mantida a situação atual, há a possibilidade de dois graves riscos. O primeiro é que novos atos de violência contra os assentados possam ser desencadeados pelos pretendidos donos das máquinas, o que poderia colocar em grave risco de vida pessoas da comunidade. Já o segundo temor das cooperativas é que ocorram atos de vandalismo, como destruição ou incêndio criminoso, contra as máquinas, madeiras ou instalações do PDS ‘numa tentativa de desviar a apuração e até buscar responsabilizar a comunidade do PDS Virola Jatobá por tais violências’.
(DOL, com informações de Ismael Machado)
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