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Pará é o 2º mais violento contra as mulheres

“Ele ficou com ciúmes e me deu um murro”. Foi o único relato dito por uma mulher que esteve, ontem à tarde, na Delegacia da Mulher para denunciar o companheiro que a agrediu fisicamente. Aparentava ter no máximo 24 anos de idade. No braço esquerdo, um hem

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“Ele ficou com ciúmes e me deu um murro”. Foi o único relato dito por uma mulher que esteve, ontem à tarde, na Delegacia da Mulher para denunciar o companheiro que a agrediu fisicamente. Aparentava ter no máximo 24 anos de idade. No braço esquerdo, um hematoma.

Apresentando sinais de nervosismo, ela não quis se identificar, nem conversar com a reportagem. Certamente, é mais uma vítima que vai entrar para as estatísticas que comprovam que o Pará é o segundo Estado mais violento do Brasil em agressão contra a mulher, segundo a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).

Somente no primeiro semestre deste ano, foram 515,94 casos de violência para cada 100 mil mulheres, denunciados pelo Disque 180, em todo o Estado. Um crescimento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o Pará ficou em terceiro lugar no ranking nacional de violência contra a mulher.

De todas as denúncias feitas para o Disque 180, 47.555 foram de situações que envolveram agressões contra as mulheres, a maioria cometida pelos parceiros e cônjuges. A violência física ainda é a mais incidente, com 26.939 registros, o que equivale a 56,65% das denúncias.

De acordo com a delegada Alessandra Jorge, é possível fazer diversas leituras em cima deste número. No entanto, ela acredita que ele não representa um aumento da violência contra a mulher e sim que elas estão denunciando mais. “A violência contra a mulher sempre existiu e somente aqui na DEAM (Divisão Especializada de Atendimento à Mulher) a gente registra aproximadamente 600 boletins por mês”, informou. A Região Metropolitana de Belém concentra o maior número de casos, porém os números não foram apresentados.

A delegada alertou que apesar delas estarem denunciando mais, boa parte das mulheres ainda desiste do processo antes mesmo do inquérito ser concluído. O que prejudica o trabalho da polícia. “Há situações em que a gente tem que intimar a própria mulher porque o processo não pode ficar parado”, comentou a delegada Alessandra.

Para ela, os números da pesquisa, que revelou que o Pará registrou 515,94 casos de violência para cada 100 mil cidadãs paraenses, são considerados baixos, uma vez que não representam nem 1% da população. “Os números de violência são muito maiores, o caso é que falta denunciar mais”, frisou a delegada. O SPM levou em consideração apenas as denúncias feitas pelo Disque 180.

A violência psicológica é o segundo tipo de violência mais comum sofrida pelas mulheres. Estes casos representam 27,21% das denúncias informadas. Em seguida, aparece a agressão moral com 12,19%, que representam as ofensas e xingamentos; e a sexual com 1,92% das denuncias em todo o Brasil.

Um fato que preocupa as autoridades é que estes casos acontecem, predominantemente, dentro de casa, no seio da família e na frente dos filhos. Em dezembro do ano passado, a Organização Não Governamental Conselho Cidadão, instituição mexicana, divulgou um estudo que apresentou Belém como a 10ª cidade mais violenta do mundo, e esta realidade inclui a violência contra a mulher.

(Diário do Pará)

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