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Rio Capim renasceu das cinzas

Um rio capaz de integrar 16 municípios num mesmo espaço territorial. Esse é o Capim, o trajeto fluvial que dá nome à região nordeste do Pará, composta por Abel Figueiredo, Aurora do Pará, Bujaru, Capitão Poço, Concórdia do Pará, Dom Eliseu, Garrafão do No

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Um rio capaz de integrar 16 municípios num mesmo espaço territorial. Esse é o Capim, o trajeto fluvial que dá nome à região nordeste do Pará, composta por Abel Figueiredo, Aurora do Pará, Bujaru, Capitão Poço, Concórdia do Pará, Dom Eliseu, Garrafão do Norte, Ipixuna do Pará, Irituia, Mãe do Rio, Nova Esperança do Piriá, Ourém, Paragominas, Rondon do Pará, Tomé-Açu e Ulianópolis.

No último censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 607.171 pessoas residiam na região, cujo produto interno bruto corresponde em 57% pelo setor de serviços, 23% pelo setor industrial e 19% pelo agropecuário.

Segundo Plano Plurianual do Governo do Estado do Pará estão previstos no local, investimentos no valor de R$ 1 bilhão. A educação lidera o orçamento, com R$ 344 milhões disponíveis. Outra área que receberá atenção especial é a de transporte, com aproximadamente R$ 260 milhões para obras de pavimentação de estradas e vias urbanas. Entre as rodovias já previstas para este projeto está a PA-124, no município de Garrafão do Norte, nos trechos entre as sedes municipais de Capitão Poço e Nova Esperança do Piriá. A saúde pública é outra área estratégica dentro do PPA, que prevê a construção de unidades de urgência e emergência nos municípios.

Paralelo a isso, o setor econômico da região deve se intensificar, já que no início deste ano foi lançado o um projeto para aumentar a produção de matéria prima para o setor cerâmico da Região de Integração do Rio Capim, evitando a derrubada da floresta nativa. A partir do “Tijolo Verde”, agricultores familiares de Irituia serão capacitados para se integrar ao sistema agroflorestal, com o objetivo de garantir uma fonte de energia limpa e renovável para a indústria cerâmica, em expansão no Estado.

PARAGOMINAS

Além de ser o município mais populoso dentre os 16, Paragominas absorveu 30% de todas as contratações formais da região em 2010, que no total registrou mais de 47 mil admissões. Tal crescimento, contudo, já foi marcado por uma exploração desenfreada dos recursos naturais, o que fez com que a cidade precisasse mudar completamente para deixar o título de campeã do desmatamento e despontar como exemplo de preservação ambiental.

A reviravolta fez com que políticos, organizações sociais e populações criassem novas estruturas de desenvolvimento local. Estes passos fortaleceram os objetivos do projeto Município Verde e a união dos parceiros com os produtores locais, do que resultou a celebração de um novo termo coletivo, o Pacto pelo Produto Legal e Sustentável e o Programa de Boas Práticas Agropecuárias, com base nos quais tudo aquilo que fosse produzido no município – madeira, móveis, carne e grãos – teria que ter origem legal e sustentável, ou seja, teria que satisfazer a condição de produtos socialmente justos e ambientalmente corretos.

Agora, a cidade que traz no nome uma referência a Minas em homenagem ao desbravador mineiro que a fundou, serve de referência para outros municípios paraenses. “No início perdemos empregos, mas que eram na verdade subempregos, ilegais, e os transformamos em empregos perenes, com atividades sustentáveis. Agora nós estimulamos muito novas atividades e o reflorestamento é uma delas. As mãos que queimavam floresta agora plantam”, disse o prefeito de Paragominas Adnan Demachki.

OURÉM

“Minha vida é pescar, faço isso até hoje. Nasci em Ourém. Morei em Belém 4 anos, na década de 70, mas voltei porque acostumado no interior, não conseguia trabalhar como empregado. Prefiro ser patrão de mim mesmo”, conta Orlandino Jorge dos Santos, 60 anos.

Todos os dias ele acorda às 4 horas da manhã, olha as redes, os tanques, e começa a atividade que lhe dá prazer.” Vendo peixe para comer e peixe de aquário, mas esses últimos estão fracos, pego poucos. Nesse ano, acho que só consigo capturar peixes raros três vezes. O que vale mais é o peixe pra consumo mesmo. E agora mais pra o meu consumo próprio, junto com a minha esposa”, explica. Para ele, Ourém tem muita coisa boa, os igarapés, as pousadas estão crescendo. “Eu gosto porque fui acostumado e não vejo diferente. Acho que as pessoas deviam conhecer mais a cidade. Muitos vão pra Salinas, Mosqueiro, mas esquecem de Ourém, que também é muito bonito. É um local hospitaleiro, não tem muita violência, é bonito, dá pra viver com tranquilidade e bem”, garante.

Atualmente, Ourém é hoje um município pequeno, conhecido por seus atrativos naturais, mas já foi um dos maiores até a virada do século XIX para o XX. Fundado em 1727, pelo capitão Luiz de Moura, a cidade recebeu este nome em 1753, em alusão a Vila Velha de Ourém-Portugal. Foi a quarta cidade criada no Estado, ficando atrás apenas de Cametá, a capital Belém e Vigia. É banhada pelo outrora caudaloso rio Guamá, que desemboca na Baía de Guajará, na capital paraense, distando cerca de 180 km da mesma.

Além dos belos igarapés, Ourém também é bastante conhecido por seu festival de música e uma cultura enraizada pelo folclore tradicional, exemplificada pela festividade centenária de São Benedito e pelos bois-bumbás.

(Diário do Pará)

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