Somente a Sociedade Paraense de Pediatria (Sopape) decidiu aderir a greve nacional contra os planos de saúde, que deve iniciar nesta quarta-feira (8). A intenção é desmarcar todas as consultas marcadas pelos planos de saúde no período de 10 a 25 deste mês. As outras categorias de médicos no Pará não vão aderir ao protesto.
Os pediatras reivindicam reajuste dos honorários de consultas, respeitando à tabela CPHPM. Além disso, pedem a inserção de procedimentos específicos, como a puericultura, que oferece uma dedicação maior à criança e à família.
“Todos nós já reconhecemos a importância de melhorarmos as condições de atendimento das crianças e a impossibilidade de viabilizarmos o tempo necessário para a puericultura com a atual remuneração repassada pelas operadoras de saúde”, diz Rejane Cavalcante, pediatra e presidente da Sopape.
De acordo com a Sopape, a situação do atendimento pediátrico é crítica no Pará. Profissionais vêm fechando seus consultórios, os concursos públicos não conseguem preencher as vagas de pediatras para atendimento à população, sobram vagas nas residências de pediatria e os hospitais não conseguem contratá-los para cobrir a demanda de plantões nas UTIs e UCIs pediátricas.
A Sopape, preocupada com a qualidade no atendimento pediátrico prestado a criança paraense e, somando a insatisfação por parte dos pediatras que não conseguem manter seus consultórios no nível de qualidade de atendimento satisfatório, a greve foi a última consequência após várias negociações com os planos de saúde.
OUTROS ESTADOS
Sete unidades federativas anunciaram a suspensão do atendimento a todas as empresas de saúde suplementar do país. Esta é a quarta paralisação anunciada pela categoria em dois anos. De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), nos estados onde haverá adesão, vão ser suspensas apenas consultas e cirurgias eletivas – serviços de urgência e emergência não serão afetados.
Em oito Estados, o protesto vai atingir apenas operadoras de planos locais. Há ainda sete Estados que irão realizar assembleias para definir os planos a serem atingidos.
De acordo com o vice-presidente do órgão, Aloísio Tibiriçá, as receitas dos planos de saúde no Brasil crescem, em média, 14% ao ano, mas o reajuste não é passado aos médicos. Segundo ele, o valor pago por consulta realizada já chegou a representar 40% dos gastos pelas operadoras, mas atualmente fica entre 14% e 18%. “Defasou muito e está bem aquém da própria necessidade de sobrevivência do médico no consultório”, disse. “Vivemos um conflito permanente com os planos de saúde. Os quase 50 milhões de usuários estão em um gargalo de atendimento médico. Os planos não credenciam mais serviços ou mais médicos por contenção de custos”, completou.
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que, entre 2003 e 2011, a receita das operadoras cresceu 192%, enquanto o valor médio pago por consulta aumentou 65%. Cálculos da própria categoria, entretanto, indicam que o reajuste foi 50%. “A ANS suspendeu mais alguns planos por conta do tempo de espera. As emergências estão superlotadas, praticamente igual ao Sistema Único de Saúde (SUS). O mercado de saúde suplementar não atrai mais o médico, eles estão saindo. A situação vai piorar”, ressaltou Tibiriçá.
Para o vice-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Lairson Vilar, as operadoras têm “boicotado” tratamentos de alto custo, reduzindo períodos de internação e dificultando exames mais caros. Segundo ele, estudo feito em São Paulo indica que dois em cada dez usuários de planos de saúde têm procurado o serviço público no lugar das clínicas credenciadas. “É impossível oferecer um serviço de qualidade face a um desequilíbrio tão grande”, destacou. (DOL, com informações da Agência Brasil)
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