A alta abrupta no índice de supressão vegetal na Amazônia verificada em agosto e setembro pelo Inpe não foi registrada pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), monitoramento paralelo mantido pelo Imazon. Mas os pesquisadores do instituto confirmam que, no acumulado, a tendência de queda do desmatamento vem perdendo força nos últimos meses.
Em agosto, o SAD registrou 232 quilômetros quadrados, número que não deve ter grande variação em setembro - o dado exato será divulgado na quinta-feira pela entidade. “No último mês, tivemos uma pequena queda no desmatamento, mas a degradação aumentou”, afirma o pesquisador Heron Martins, que participa da elaboração dos boletins mensais da Imazon.
Segundo ele, o aumento do desmatamento é natural nesta época do ano por conta dos incêndios, criminosos ou não. “É característico que, a partir de julho, a Amazônia passe por um processo de estiagem”, afirma o pesquisador. “Há menos nuvens e isso favorece não só a detecção, mas o próprio desmatador. É mais fácil botar fogo na floresta em períodos secos”.
Mesmo assim, o ritmo de queda de desmatamento tem preocupado os especialistas - regiões que recebem projetos hidrelétricos, como Rondônia e o norte de Mato Grosso, são as que têm apresentado maiores índices, segundo Martins.
O Ministério do Meio Ambiente alterou o critério para a inclusão no ranking de cidades que mais desmatam. Áreas que apresentarem aumento em pelo menos dois dos últimos três anos passarão a integrar a lista. Até o mês passado, o critério era de crescimento em três dos últimos cinco anos.
No início do mês, Anapu e Senador José Porfírio, no Pará, foram incluídos na relação de 52 municípios que são tratados como prioridade.
(AE)
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