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Mais de um século de jovialidade

Conversar. Este pode ser um dos segredos da jovialidade e boa memória de Lacy Martins, que completou 101 anos ontem. O bate-papo norteia a vida do aposentado. Através da boa conversa ele conseguiu emprego em uma fábrica de beneficiamento de borracha e um

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Conversar. Este pode ser um dos segredos da jovialidade e boa memória de Lacy Martins, que completou 101 anos ontem. O bate-papo norteia a vida do aposentado. Através da boa conversa ele conseguiu emprego em uma fábrica de beneficiamento de borracha e um casamento que já dura 75 anos e rendeu quatro filhos, 11 netos e cinco bisnetos.

É com uma boa conversa que os olhos azuis brilham ao lembrar de memórias antigas e recentes. Até pouco tempo atrás, ele ia sozinho ao Ver-o-Peso. “Gosto de caminhar e falar com as pessoas”, argumenta. A lucidez causa orgulho nos familiares. “Ele sempre faz amizade. É uma graça vê-lo chegar a essa idade do jeito que está”, diz Rubens Martins, 67, filho de Lacy.

Natural de Bragança, Lacy lembra as peripécias do tempo de solteiro e conta piadas. Ele atribui a memória impecável ao consumo de leite de cabra. “Tomava muito quando morava em Bragança e quando trabalhava em uma padaria da Três de Maio”. Lacy gosta de acompanhar o noticiário. Remista, sempre ouve os jogos pelo rádio. “O Remo tá um bocado ruim, precisa de bons jogadores”, analisa.

O torneiro mecânico aposentado também fica atento à política. Aliás, foi através do ex-governador Aurélio do Carmo que Lacy conheceu Praxedes Moraes Martins, 95, mulher que viria ser a companheira da sua vida. “Ela era afilhada da mãe do Aurélio e ficava na casa dele às vezes e eu frequentava o lugar e a gente começou a conversar, depois namorou e casou”, lembra.

Lacy recorda a política dos tempos de Getúlio Vargas e Magalhães Barata. “Eles fizeram muita coisa boa”, considera. Com detalhes, o centenário lembra quando conheceu o então candidato a deputado, Jader Barbalho. “Fui ao escritório do doutor Atemir Leite, meu advogado dos tempos da Fábrica Farah, e ele me apresentou o doutor Jader. Perguntou se eu o conhecia e eu disse que só de nome. Então, o Jader me abraçou e me beijou pela primeira vez”.

Os registros da memória acarretam saudade. “Sinto falta da minha terra, Bragança. Saí de lá aos 16 anos e faz tempo que não volto. Quero dá um pulinho lá”, diz. Foi em Bragança que Lacy dançou e brincou muito Carnaval. “Eu gosto de festa”, confirma. Uma festinha com os amigos mais íntimos e familiares foi agendada para ontem à noite e ele aguardava ansioso.

BRAGANÇA

Lacy deixou Bragança para vir a Belém trabalhar. Depois de atuar em uma padaria, ele foi trabalhar como torneiro mecânico em uma fábrica de extração de borracha. “Eram 162 empregados. A equipe virava noite e dia. Quando parava uma turma, outra entrava”, conta. “Entrava muita borracha, de 50 a 80 toneladas por dia”, completa.

Com 101 anos de idade e uma saúde impecável, ele não tem pretensões grandiosas quanto ao que a vida lhe reserva. “O quanto Deus me der, tá bom. Tô nessa caminhada segurando a mão de Deus e vou continuar até quando ele quiser”.

(Diário do Pará)

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