A falta de condições de trabalho na rede pública pode comprometer os serviços de urgência em Belém. É o que afirma o médico neuro-cirurgião Douglas Vasconcelos, que trabalha tanto no Hospital Metropolitano quanto no Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março, os dois únicos estabelecimentos credenciados a realizar operações de alta complexidade em neurologia da rede pública.
“O Metropolitano está há seis meses sem um tomógrafo, que é o aparelho que realiza os principais exames para os procedimentos em neuro. Não temos como realizar os procedimentos de urgência sem esse aparelho”, explica o médico.
Douglas cita ainda que o Ministério da Saúde estabelece condições mínimas para a oferta do serviço de neurologia e que o Hospital Metropolitano não as estaria cumprindo. “Já fizemos diversas reclamações e queixas através do sindicato, mas não tivemos resposta da Sespa”, diz.
Douglas afirma que, recentemente, seguindo orientações do Conselho Regional de Medicina, realizou Boletim de Ocorrência solicitando a visita de um juiz para conferir a falta de condições. Enquanto aguarda uma resposta para a denúncia, os médicos da área de neurologia do Hospital Metropolitano preparam uma paralisação, com indicativo de greve, para o dia 19 deste mês.
PSM DA 14
No outro único estabelecimento da rede pública credenciado pelo Ministério da Saúde a realizar procedimentos neurológicos de alta complexidade, o panorama é similar ao do Metropolitano.
“O Pronto-Socorro não conta com uma unidade de terapia intensiva, e ainda trabalhamos com instrumentos que, por determinação do Ministério da Saúde, nem deveríamos mais utilizar por pura falta de equipamento equivalente”, diz Douglas.
O médico alerta ainda que outro problema em comum entre os locais tem gerado problemas maiores no PSM – atraso e irregularidade nos salários. “Sem receber, muitos médicos pararam de ir trabalhar”, ele diz, explicando que, atualmente, apenas cerca de 30% dos profissionais de neurologia estão trabalhando no PSM, e há a perspectiva que todos eles parem dentro de uma semana a dez dias por conta dos atrasos.
(Diário do Pará)
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