O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Estado do Pará (Sindicombustíveis) expôs em coletiva que o aumento da demanda por gasolina, aliada a diversos fatores, tem causado a constante falta de gasolina em postos de abastecimento em todo o Brasil, e que essa situação começa a afetar seriamente o serviço em Belém.
“O álcool só compensa para o consumidor quando ele é, pelo menos, 70% mais barato do que a gasolina, o que não acontece desde o ano passado e contribuiu para o aumento da demanda”, explica o vice-presidente do sindicato, Mário Melo. Ainda de acordo com ele, esse aumento no valor do álcool é devido seus produtores estarem deixando de lado sua produção para investir no açúcar que está valendo mais para a exportação.
Angélica Araújo é belenense e costuma abastecer no mesmo local, ela diz não ter tido nenhum problema com falta de combustível, e mesmo tendo um carro flex, afirma que sempre pede gasolina. “O álcool está muito caro, não compensa, o carro até precisa de álcool, mas eu uso gasolina mesmo”, explica.
Mário também aponta a redução no IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) como responsável por um acréscimo nessa procura. “Quando a pessoa compra um carro novo, ela não elimina o antigo, ele continua a ser usado se não por ela, por outra pessoa, e isso gera consumo maior de gasolina”, aponta.
“Nós éramos exportadores do nosso excedente, e há três anos nós passamos a ter que importar combustível porque a nossa produção não é mais suficiente”, diz Ovídio Gaspareto, um dos diretores do Sindicombustíveis.
Com a demanda sendo acrescida em torno de 23% durante o segundo semestre em relação ao primeiro, todos os anos, o sindicato considera que o problema deva manter-se pelo menos até o fim do ano. Algumas medidas, segundo eles, devem ser tomadas com urgência, como o aumento do número de navios que trazem esse combustível e a maior frequência dessa distribuição, hoje realizada pela Petrobras Transporte (Transpetro).
Até medidas básicas como a manutenção dos navios que realizam esse abastecimento têm sido mal gerenciadas, segundo o vice-presidente. E com o desgaste dos navios que há e a não compra de novos, a expectativa é de que as coisas fiquem piores. “Há postos usando caminhões para trazer combustível de São Luís, no Maranhão, na tentativa de amenizar a situação”, conta Mário.
(Diário do Pará)
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