Chegar à terceira idade com saúde parece motivar cada vez mais a sociedade. Para quem não pôde evitar algumas patologias, a ciência comprovou que não é tarde para cuidar da alimentação e praticar exercícios físicos. Com tantos artifícios para manter-se saudável, a população idosa tem crescido. Somente no Pará 6,9% da população tem mais de 60 anos, o que significa mais de 500 mil pessoas. Na capital, são 9,3% do total, que representa 131.517 idosos, segundo números da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa).
Dados recentes do IBGE mostram, contudo, que são as mulheres as maiores sobreviventes. Uma lógica percebida em diversos países, por sinal. Para começar com as maiores idades, vivem no Pará 274 homens de 100 anos ou mais. Nessa mesma faixa etária, são 625 mulheres. Mais que o dobro de homens. Ainda assim, esse fato já pode ser observado a partir dos 70 anos.
Motivos para esse fenômeno da “feminização da velhice” ainda não foram comprovados, mas estudos revelam um conjunto de possibilidades que dão margem a esse fato. De acordo com o Coordenador Estadual de Saúde do Idoso, Guilherme Moura, há muitas questões comportamentais que definem isso, mas ainda não se sabe se a geração de hoje vai manter o mesmo perfil. “Há muitas teorias sobre essa situação. O fato de os homens estarem mais expostos a riscos, por exemplo o fumo e a bebida. As mulheres que envelheceram hoje eram donas de casa, tinham mais vida social. Culturalmente a mulher se cuida mais, ela é mais receptiva a tratamentos. Enquanto o homem tem mais preconceito com isso. Um exemplo é o exame da próstata que muitos não fazem. Ainda vemos questões externas como os acidentes de carros e homicídios, a maioria envolve homens”, explica.
Essas observações, apesar de claras, são teorias e não comprovadas cientificamente. “Não podemos desconsiderar os aspectos genéticos e biológicos”, ressalta. Quando a idade vai aumentando a propensão a doenças cardiovasculares e respiratórias, além de complicações com diabetes aumentam.
CUIDADOS
Se a preocupação com a saúde vier cedo, a possibilidade de promover um envelhecimento saudável aumenta. Hábitos de vida, alimentação regrada, atividades físicas. O acompanhamento médico é fundamental para garantir um diagnóstico precoce. O aposentado Tolentino de Vasconcelos tem 75 anos e pratica exercícios há quatro. “Quando comecei a me sentir mais fraco procurei minha médica e ela me aconselhou a fazer hidroginástica. Me senti bem, voltei para uns exames e parei as aulas. Mas logo senti falta. Depois que a gente sai daqui até respira melhor”, afirma.
Mas ele não é o único. Cada vez mais preocupada com a qualidade de vida, a aposentada Graciete Gonçalves também não conta conversa. “A minha mãe adoeceu, eu sou filha única, cuidei dela até o fim. Depois pensei em quem ia cuidar de mim, foi aí que eu mesma passei a fazer isso”, relata. Ela já pratica atividades físicas desde 2004, faz acupuntura e remédios, só homeopáticos. “Tenho problemas com artrose, depois que comecei a hidroginástica melhorei muito. Como muitas verduras, evito carne vermelha. Como peixe e galinha caipira”, completa.
(Diário do Pará)
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