Complexo e delicado, o corpo feminino possui peculiaridades que redobram os cuidados com a saúde. Nesse cenário, a prevenção se torna indispensável para evitar doenças específicas, como o câncer cérvico uterino, mais conhecido como câncer do colo de útero. Os motivos que levam à busca tardia pelo exame preventivo da doença vão desde fatores pessoais a sociais, passando ainda pelo próprio método de realização do exame. O assunto é tema de trabalho de conclusão de curso dos alunos de enfermagem do Cesupa Sara Sales, Antonio Carlos Miranda e Nariane Lopes, com a orientação da professora Ivonete Pereira.
O câncer de colo de útero é temido devido aos seus altos índices de morbilidade. A doença registra mais de 18 mil novos casos por ano no Brasil, sendo considerado o segundo tipo de câncer mais incidente entre as mulheres, perdendo apenas para o de mama, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Já na região Norte do país, o índice é inverso. O câncer do colo do útero é o mais presente, superando o câncer de mama. “As possíveis razões são a extensão geográfica da nossa região, bem como o difícil acesso às mulheres que vivem nas zonas rurais e ribeirinhas. Além disso, há baixo esclarecimento em relação à prevenção do câncer, que ainda é muito discriminado”, esclarece a ginecologista e professora do curso de Medicina do Cesupa, Ana Carla Campos.
A causa da doença está estritamente ligada ao vírus HPV, sendo o contágio feito através do contato com a pele ou mucosa infectada. Segundo a médica, tabagismo, atividade sexual precoce, múltiplos parceiros sexuais e baixas condições socioeconômicas estão entre os fatores de risco. De acordo com o Ministério da Saúde, os altos índices do câncer uterino também estão relacionados a fatores como insuficiência de recursos no sistema de saúde, má articulação na prestação de serviços voltados para essa assistência e carência de informação.
PREVENTIVOS
O exame preventivo da doença consiste na coleta de células do colo do útero e do canal cervical, através do espéculo vaginal, também conhecido como “bico de pato”.
Para um diagnóstico prematuro e uma prevenção segura, é necessário que a mulher faça o exame preventivo do câncer do colo de útero (PCCU), o popular Papanicolau, frequentemente. O exame detecta as lesões causadas pela infecção genital pelo Papilomavírus humano (HPV) em seus diferentes estágios, assim como infecções como tricomoníase, candidíase e vaginose bacteriana.
De acordo com as últimas diretrizes de 2011 do Ministério da Saúde e do Inca, o exame preventivo deve ser realizado em mulheres a partir dos 25 anos, a cada três anos, após dois exames normais com intervalo de um ano, até os 64 anos. No entanto, muitos fatores não contribuem para esse dado. Segundo a pesquisa, as mulheres, geralmente, só procuram fazer o exame quando os primeiros sintomas se manifestam, detectando a doença já em estágio avançado.
Outros fatores que levam à não realização do preventivo são a apreensão e o medo do diagnóstico positivo. A situação é consequência da falta de conscientização da população diante da importância do diagnóstico precoce e da indefinição dos serviços de saúde sobre a postura da paciente - desde a primeira queixa até o diagnóstico e tratamento especializado.
(Diário do Pará)
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