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Belém tem um dos piores índices de arborização

Com poucas áreas verdes, os belenenses encontram dificuldades para conseguir enfrentar as altas temperaturas neste mês de outubro, considerado pela meteorologia como o mais quente e seco do ano. As árvores servem como reguladores térmicos naturais que, al

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Com poucas áreas verdes, os belenenses encontram dificuldades para conseguir enfrentar as altas temperaturas neste mês de outubro, considerado pela meteorologia como o mais quente e seco do ano. As árvores servem como reguladores térmicos naturais que, além de melhorar a qualidade de vida da população, poderiam contribuir para suavizar a forte sensação térmica (calor) na cidade. Em maio deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um estudo que aponta Belém com um dos piores índices de arborização do Brasil. Um reflexo disso pode ser encontrado nos rostos suados e oleosos de pessoas que procuram se abrigar do sol e não encontram uma sombra de árvore.

Às 15h da última terça-feira, por exemplo, a cidade parecia um imenso caldeirão de tão quente que estava. Nas ruas e em casa, era mais quem reclamava do calor. Dentro de casa, a aposentada Expedita Freitas, 79, que mesmo depois de tomar banho, relatava que até o vento do ventilador era quente. “É um calor tamanho que a gente não sabe o que fazer para se livrar”, reclamava.

Nas ruas a situação ainda era mais crítica. Ao longo da Avenida Almirante Barroso, por exemplo, um dos corredores de tráfego mais movimentados da cidade, a população sofria as consequências do sol forte. A arborização na via é escassa e está presente apenas no canteiro central da via. Para piorar a situação, em muitas paradas de ônibus não havia sequer cobertura que proporcionasse uma sombra para os usuários do transporte coletivo. Alguns formavam filas nas sombras dos postes.

O servidor público Roger Nascimento, 30, comenta que é quase uma tortura diária se deslocar para o trabalho todos os dias por causa do sol e da pouca quantidade de sombra. “Atravesso a Almirante Barroso num sol escaldante de meio dia e viajo cerca de uma hora e vinte minutos de ônibus nesse calor”, disse. “A nossa cidade precisa de mais verde, mais arvores. Não só no centro, mas em todos os bairros, nas grandes avenidas, nos corredores com o maior índice de pessoas circulando”, ressaltou Roger.

De acordo com o diretor do Plano Municipal de Urbanização, e engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Paulo Porto, a cidade das mangueiras conta apenas com um número aproximado de 120 mil árvores em todo o seu território – quantidade considerada insuficiente para garantir um equilíbrio térmico na cidade.

DESORDENAMENTO

Contudo, Porto considera que o problema da arborização precária está no crescimento desordenado da cidade que se expandiu sem um planejamento adequado. Em março deste ano, a Câmara Municipal de Belém aprovou o Plano de Arborização que ainda não foi concluído. “Estamos finalizando o Manual Técnico de Arborização, a estimativa é de que fique pronto até o mês que vem”, projetou Porto.

Quando for concluído, os órgãos públicos de Meio Ambiente finalmente irão saber quais as espécies de vegetais que poderão ser plantadas em vários pontos da cidade. “A gente não pode plantar em qualquer lugar, qualquer planta. É preciso saber qual o porte do vegetal para ser plantado em determinadas calçadas e em determinadas vias”, destacou o engenheiro agrônomo.

Um estudo desenvolvido pela Faculdade de Geografia e Cartografia da Universidade Federal do Pará (UFPA) revelou que a “cidade das mangueiras” já apresenta áreas consideradas como desertos florísticos, ou seja, que não possuem nenhum tipo de arborização. Um problema que se não for resolvido o quanto antes, tornará drástica a vida na cidade por causa do calor.

Paulo Porto demonstrou preocupação com a situação do bairro da Terra Firme que é o mais carente de cobertura vegetal. “Ali o poder público terá de desocupar algumas áreas para transformar em espaços verdes. Além disso, teremos que mobilizar a população para plantar espécies de muda adequadas nos quintais de suas casas para conseguir se chegar a um equilíbrio”, colocou.

“Eu não consigo entender como vivemos numa cidade no meio da Amazônia e não temos grandes espaços de área verde”, reclamou o universitário Rodrigo Reis,, 22 anos.

(Diário do Pará)

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