Há 100 dias o vigilante José Wilson perdeu o chão. Chegou do trabalho e recebeu da vizinha a má notícia. O ônibus com estudantes paraenses que seguia rumo ao 22º Congresso da Sociedade Brasileira de Computação no Paraná tombara. O filho, Wilson Lozeiro Evangelista, fazia parte da excursão. Seu José sentiu o coração apertar. Era 16 de julho. A informação de que o pior poderia ter ocorrido não tardaria a chegar. Wil, como era mais conhecido o filho do vigilante, estava entre as 10 vítimas fatais do acidente.
Até hoje, ninguém sabe a causa exata do desastre.“Eu sou muito pé no chão. Tenho pra mim que em 90% foi o motorista que causou o acidente, mas não sei se é isso que vai vir no papel. De qualquer forma, não culpo a empresa. Perdi o alicerce principal da minha construção, até hoje não sei o que fazer, mas me amarro na tese de que foi da vontade de Deus e vou levando a vida”, comenta o pai com a voz embargada.
Sivaldo Miranda vive a mesma angústia. Perdeu o único filho universitário. Sivaldo Jr trabalhava como feirante e cursava licenciatura da computação na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). “Nada vai tirar de mim esse sofrimento. A dor de hoje é igual a daquele dia. Na hora que levanto, três horas da madrugada e não vejo meu filho bate uma tristeza tão grande. Foi um pedaço de mim que se foi”, lamenta o pedreiro que diz aguardar ansioso o resultado final da perícia que ainda não ficou pronta.
Na época do acidente, a Polícia Rodoviária Estadual do Paraná deu o prazo de 70 dias para a liberação do laudo técnico apontando as causas do acidente. Informações extraoficiais dão conta de que o motorista do ônibus teria perdido o controle do veículo, atingido a lateral de um caminhão que trafegava no sentido contrário e tombado na sequência. O acidente ocorreu na rodovia PR-090, em um trecho conhecido por “Serrinha”, em Piraí do Sul, no Paraná. “Tá demorando demais liberarem esse documento. A gente precisa tirar toda dúvida. Saber o que de fato aconteceu para poder cobrar providências. O ruim é que é longe demais, não dá nem pra gente fazer uma pressão”, comenta Sivaldo.
(Diário do Pará)
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