O senador Jader Barbalho (PMDB) perdeu de vez a paciência com o desinteresse demonstrado pelo governo federal em relação ao projeto de derrocamento do rio Tocantins, que deveria assegurar a sua plena navegabilidade durante os doze meses do ano e, com isso, viabilizar a implantação da siderúrgica Alpa (Aços Laminados do Pará), na cidade de Marabá. “O que nós estamos vendo é uma tremenda embromação”, declarou Jader Barbalho na sexta-feira, em tom indignado, ao comentar os termos de um documento por ele recebido do Ministério do Planejamento acerca do assunto.
O ofício, assinado pela ministra Miriam Belchior, do Planejamento, e endereçado à secretaria geral do Senado, se dispunha a responder a um pedido de informações sobre o projeto de derrocamento dos pedrais do rio Tocantins. O requerimento foi apresentado por Jader Barbalho no final de julho à mesa do Senado. Sobre o mesmo assunto, ele já havia endereçado correspondência no dia 28 de fevereiro deste ano diretamente à presidente Dilma Rousseff. “Este é um assunto importante demais para o Estado do Pará”, enfatizou.
O que deixou o senador enfurecido foi o tom vago e inconvincente da resposta encaminhada pela ministra do Planejamento. Para Jader, o documento foi frustrante, já que não forneceu com objetividade e clareza as informações solicitadas e, pior, deixou implícito nas entrelinhas o total alheamento do governo federal em relação ao projeto. Para o líder do PMDB no Pará, faltou convicção e comprometimento com a execução do empreendimento. “É uma informação fajuta, que não informa coisa nenhuma. A única certeza que ela nos dá é de que devemos continuar na incerteza”, disse o senador em tom ferino.
A correspondência encaminhada como resposta ao requerimento de Jader Barbalho trata evasivamente de questões já sabidas e tangencia o essencial, que seria a informação solicitada sobre as ações do governo para efetivamente executar o empreendimento. Ela sustenta, por exemplo, com base em informação da área técnica responsável, a Diretoria Aquaviária do DNIT, que, sem a realização do derrocamento dos Pedrais do Lourenço, entre Marabá e Tucuruí, as intervenções de dragagem do rio Tocantins perdem sua funcionalidade. “Na medida em que a ausência do derrocamento é o fator limitante fundamental para a navegabilidade da hidrovia”, assinalou a correspondência, martelando obviedades. E acrescentou. “Por isso, essas intervenções também foram suspensas no momento em que a licitação para o derrocamento foi cancelada”.
O senador Jader Barbalho rejeita peremptoriamente a “verdade rasa” exposta pelo Ministério do Planejamento. Mostrando que está pessoalmente focado no assunto e disposto a ir fundo em todos os seus detalhes, ele revelou, com base em informação recebida de uma fonte rigorosamente confiável, que as restrições atualmente existentes à navegabilidade do Tocantins são fatores limitantes, de fato, mas não suficientes para inviabilizar a implantação da Alpa, a siderúrgica projetada pela Vale para construção em Marabá.
Mesmo sem as obras de derrocamento e dragagem, conforme frisou, as barcaças poderiam trafegar sem grandes problemas pelo Tocantins durante nove meses do ano, atravessar as eclusas de Tucuruí e alcançar o porto de Vila do Conde, por onde se faria o escoamento da maior parte da produção de aço. Em apenas três meses, quando as águas atingem na região o seu nível mais baixo, o transporte passaria ser feito através do porto de Itaqui, em São Luís do Maranhão.
(Diário do Pará)
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