Rever a situação de dois prontos-socorros sobrecarregados com demandas de outros municípios, reverter o descrédito de grande parte da opinião pública e administrar muitos servidores insatisfeitos com suas condições de trabalho. Os desafios que o novo prefeito de Belém terá na área da saúde não são poucos. Segundo a médica especialista em Patologia e Gestão Hospitalar Laura Rossetti, é impossível pensar em saúde pública sem investir em outras áreas para desafogar o sistema. Para a especialista, que esteve à frente da Secretaria Estadual de Saúde Pública de 2008 a 2009, mais do que pensar na construção de novos hospitais e prontos-socorros, é necessário um estudo para ordenar as atuais unidades e torná-las mais eficientes.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), Belém possui 29 unidades de saúde e dois Prontos-socorros Municipais de Urgência e Emergência. Para Laura Rossetti, as políticas públicas pensadas para a área precisam ser coordenadas com outras secretarias. “É preciso investir mais em educação voltada para a saúde, por exemplo. As pessoas não sabem como funciona o sistema, para onde se dirigir, acabam procurando unidades que não são adequadas para o problema que apresentam. Além disso, este trabalho ajudaria a prevenir coisas mínimas que acabam resultando em doenças mais graves”, explica.
MAPEAMENTO
Segundo a especialista, o ponto de partida é mapear o funcionamento da rede para pensar em soluções estratégicas. Uma política que seria mais barata e efetiva do que criar novos prédios. “Lazer, saneamento, saúde bucal, está tudo ligado à saúde e à prevenção. É necessário pensar na rede pública de forma integrada com a participação da sociedade, promover e orquestrar a saúde.
Apenas a construção de novos hospitais não vai resolver o problema”, fala. Segundo a assessoria da Sesma, em 2011, mais da metade dos pacientes atendidos no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da 14, são de fora de Belém. De acordo com Rossetti, somente o diálogo efetivo entre município e Estado, para dividir responsabilidades e fortalecer hospitais regionais, pode aliviar o inchaço dos dois PSMs.
SUGESTÕES
A gestora afirma que investimentos sequenciais nos servidores e, principalmente, na estrutura hospitalar podem evitar as constantes paralisações e o aperfeiçoamento do sistema.
“Muitos médicos que buscam qualificação fora do Estado acabam não voltando justamente porque são mal remunerados. Os servidores não têm desculpa para atender mal à população, já que aceitaram o salário quando foram efetivados, mas precisam ter condições mínimas de trabalho e uma remuneração digna para honrar este compromisso”, completa.
(Diário do Pará)
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