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Ninguém consegue desgrudar do celular

Eles já superaram, em números, a população brasileira e atingiram a marca de 258,9 milhões de linhas no país, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Os telefones celulares são tão presentes na vida das pessoas que 83% de seus usuários ap

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Eles já superaram, em números, a população brasileira e atingiram a marca de 258,9 milhões de linhas no país, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Os telefones celulares são tão presentes na vida das pessoas que 83% de seus usuários apresentam um comportamento alterado quando esquecem o aparelho em algum lugar – conforme revelou a pesquisa realizada pela revista Time, em parceria com a empresa Qualcomm, que ouviu 5 mil usuários em oito países, incluindo o Brasil. Para se ter ideia, 35% dos brasileiros ouvidos disseram que consultam o aparelho de dez em dez minutos, as vezes em menos tempo, e 74% dos usuários dormem com o celular do lado. Uma dependência que, se não for moderada, pode afetar o desempenho produtivo e provocar comportamento disperso.

Numa era marcada pelo advento da tecnologia, é cada vez mais difícil driblar as artimanhas dos aparelhos de telefone celular, que comportam câmeras, mp3, acesso a internet e se utilizam de outros acessórios que prendem a atenção e atraem as pessoas para adquirir tais tecnologias. Perguntar a algum usuário de celular quantas horas, por dia, ele passa com o celular nas mãos a resposta pode ser surpreendente.

O estudante Celso Silva, 20, dorme e acorda com o celular. O estudante faz parte dos 40% de usuários que não ficam longe do aparelho nem quando vão ao banheiro. “É muito engraçado porque se estou tomando banho e recebo uma mensagem, enxugo as mãos e respondo na hora. Não espero terminar de tomar banho”, relata. Que conta dependência maior ainda. “Fui à igreja e o aparelho descarregou, pedi o carregador de um amigo emprestado. Desde então, ando com uma bateria extra e o carregador o tempo todo”, comentou. Celso frisa que é dominado por uma ansiedade que não passa até que o aparelho esteja em suas mãos.
O uso exagerado dos celulares consiste no terceiro tipo de infração mais cometida por motoristas, em Belém. Cerca de 24% dos usuários de celular no Brasil, admitem que consultam ou usam o aparelho enquanto estão ao volante.

Dos 5 mil usuários entrevistados durante a pesquisa, 58% afirmaram que não ficam mais de uma hora sem acessar aos seus telefones, seja para ligar ou enviar mensagem ou mesmo se entreter. Além disso, mais da metade (54%) deles confirmaram que consultam o aparelho quando vão se deitar e antes de levantar – caso se acordem de madrugada, não deixam de verificar o aparelho.

Para o psicólogo Davi Lopes, o ato de se apegar ao celular e se tornar dependente pode representar um caso típico da patologia chamada de nomofobia, que é o medo que a pessoa tem de ficar sem comunicação. “Isto está muito presente nesta era da comunicação”, diz Lopes. O problema é que esse apego tem começado cada vez mais cedo e provocado alterações no comportamento da juventude, que pode se tornar improdutiva por causa da relação com esse mundo virtual oferecido pelo celular.

No Brasil, a dependência do celular começa cada vez mais cedo, já que a pesquisa revelou também que a idade mínima para ter celular é de 11 anos, em média. Fato confirmado pelo psicólogo, que reforça que tem acompanhado muitos casos de jovens que apresentam comportamento nomofóbico, que é caracterizado pela ansiedade, angustia e nervosismo provocados pela falta do aparelho. “O uso excessivo do celular pode ser prejudicial, principalmente para crianças e adolescentes, pois afeta a expectativa de produção da criança em relação ao mundo. Elas passam a viver de maneira mais dispersa e nãoprestam atenção em outras coisas importantes”, ressalta Davi.

Nos adultos, as consequências da dependência podem influenciar, inclusive, a vida conjugal dos usuários, segundo alertou o psicólogo. Por isso, ele recomenda o uso moderado da tecnologia e enfatiza que a relação com o mundo virtual, por meio do celular, não deve jamais refletir na vida social e pessoal dos indivíduos.

(Diário do Pará)

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