Um mutirão de limpeza. O convite foi feito no final de semana e levou donas de casas das comunidades Liberdade I e II, do bairro do Guamá, a juntar esforços para acabar com o lixo que tomava conta das margens da avenida Tucunduba. O destino final dos degetos – que incluiam lixo doméstico, roupas velhas e caroços de açaí – foi o fogo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 10% da população brasileira queima ou enterra o lixo. No Pará, esse índice chega a 22,7%, deixando o Estado em quarto lugar no ranking da pesquisa realizada em 2008/2009 e divulgada em setembro deste ano.
Nas ocupações, a coleta domiciliar de lixo é inexistente. Por isso, em menos de 50m, era possível ver cinco pequenos montes de lixo sendo queimados. “O caminhão de lixo não entra aqui e a gente queima pra não ficar no sujo”, argumenta a dona de casa Maria do Carmo Pereira, 52, ainda ofegante do trabalho com a enchada usada na tentativa de limpar as proximidades da casa onde mora.
“A gente queima por que se for jogar no Riacho Doce, não vão gostar, assim como não gostamos quando vem gente de outros lugares com carrinho de mão jogar as coisas aqui”, diz a dona de casa Maurícia Lobato, 49. Elas se dividiram nos afazeres e nos horários. Enquanto uma capinava, a outra juntava os degestos e queimava. “Agora é o nosso grupo e a tarde, vem outras para continuar o serviço”, explica Jose Moraes, 32. “É que moramos em um lugar onde todo mundo joga lixo e a gente sai em equipe pra limpar”, completa.
Elas queriam que pelo menos uma vez por semana, o caminhão de lixo adentrasse na comunidade. “Podiam colocar uns três conteineres e recolher de uma só vez”, diz Maurícia. No bairro da Condor, nas proximidades da Praça da Princesa, a coleta é feita diariamente. Mesmo assim, é muito comum ver lixo espalhado pelas ruas e terrenos sendo usados como depósito de lixo. “Há 26 anos eu moro aqui e todo dia é isso. As pessoas vêm e jogam lixo. A prefeitura limpa. Depois, jogam lixo de novo”, narra a merendeira Marcela Gonçalves.
NÃO TEM JEITO!
De acordo com os agentes de limpeza urbana que atuam na área, pela manhã, às 7h30, o local é limpo. Mas, às 12h, já está tomado de lixo novamente. “As pessoas trazem com carrinho de mão e jogam aí. Não adianta nem falar que eles querem agredir a gente”, lamenta Elizeu Magalhães.
Apenas 7,6% das pessoas no Pará separam o lixo biodegradável e não degradável. Apesar de parecer uma quantidade irrisória, ainda é a maior entre os estados da Região Norte. Dentre os que separam, 14,6% fazem visando atender à coleta seletiva. Na Região Norte chega a 16,8%. O menor percentual comparado às demais regiões do país.
O recolhimento de lixo domiciliar no Pará chega a 67,7%, quando a média nacional é de 80,7%. O percentual da Região Norte equivale a 71,1%. As coletas indiretas no Estados representam 5,3%.
RESPOSTA
Em nota, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), informou que “a responsabilidade da coleta do lixo domiciliar cabe às prefeituras de cada município, que devem também disponibilizar os pontos de coleta seletiva”. Também por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), comunicou que cobre 97% dos domicílios de Belém com a coleta de lixo domiciliar porta a porta. Os 3% que ainda estão descobertos são referentes a novas áreas de invasão que ainda estão sendo incluídas nos roteiros de coleta.
Diariamente, a Sesan recolhe cerca de 1.100 toneladas de lixo domiciliar. Em média, são quase 1.800 toneladas de entulho recolhidas, por dia. Para coibir o depósito de lixo de forma ilegal, foram instaladas oito câmeras de monitoramento em pontos críticos.
(Diário do Pará)
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