São 180 questões, mais uma redação, que podem decidir o futuro profissional de mais de 5,7 milhões de brasileiros. O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que começou a ser aplicado ontem e segue até hoje, é utilizado como nota parcial no vestibular de muitas instituições de nível superior do país. No Pará, mais de 261 mil pessoas se inscreveram para o teste.
Em escolas públicas e particulares, estudantes intensificaram o ritmo de estudos na última semana. E se o senso comum favorece as escolas privadas no comparativo, na preparação para disputar as vagas não há distinção com o ensino público: os alunos se esforçam para minimizar dificuldades e a vontade de ver o nome na lista dos aprovados é a mesma.
No colégio Impacto, umas das instituições privadas referência em aprovação nos vestibulares, os estudantes do convênio recebem apoio de apostilas didáticas, salas equipadas com recursos audiovisuais, revisões no contraturno e turma de mérito para os alunos mais esforçados. Desde o início do ano, os estudantes do convênio estão revisando conteúdos das três séries do Ensino Médio para garantir boas notas nos processos seletivos.
De acordo com o professor Paulo Lopes, o sistema de mérito é um dos grandes diferencias do Impacto. “Os alunos precisam manter uma média de, no mínimo, oito para permanecer na turma especial. Eles contam com materiais específicos, carga horária de preparação maior e são testados todos os meses. Isso acaba funcionando como um estímulo e aumentando o rendimento dos estudantes que querem se preparar
melhor”, explica.
Augusto César Faleiro, 17 anos, além das revisões que recebe no colégio, decidiu complementar a preparação com um grupo de estudo. Desde abril, ele se reúne três vezes por semana com as duas irmãs e mais três colegas para aumentar as chances de conseguir uma boa pontuação. “Tem sempre um que é melhor em história, ou que é melhor em geografia, então nós resolvemos juntar o conhecimento de todos e montar o grupo”, explica Augusto. O aluno fala que a estratégia deu resultado e que sente preparado para conseguir uma vaga no curso de fisioterapia.
Para Diogo Gomes, 18 anos, o Enem é mais que um teste de conhecimentos. “Para mim, é o primeiro passo no caminho para minha realização profissional. É a porta de entrada que pode marcar o início da minha vida adulta efetivamente”, fala o estudante, que tentará vaga em Direito. Sua colega de classe, Ana Paula Cardoso, 18 anos, complementa as aulas do colégio com reuniões em um grupo de estudo específico.
Para ela, que tentará uma vaga em medicina, a prova de redação que será realizada hoje merece uma atenção especial. “Querendo ou não, são 1.000 pontos que estão disponíveis. No grupo, nós discutimos assuntos que podem cair na prova, exercitamos o texto e trocamos informações que podem ser úteis na hora do exame”, detalha.
Fascículo traz dicas importantes
Além do ritmo intenso de preparação nas salas de aula, cursinhos e grupos de estudo, quem compra o DIÁRIO também recebe uma ajuda especial para alcançar boas notas nos processos seletivos: a série “Revisão Vestibular 2013”. O fascículo de hoje aborda a disciplina Língua Portuguesa. Esta é a terceira edição de um total de doze publicações. O material está repleto de exercícios de revisão retirados de processos seletivos anteriores, dicas e manhas para se fazer uma boa prova, além de sínteses de temas que são apostas para questões. Tudo baseado no conteúdo exigido pelas principais instituições de ensino superior do Estado.
O material produzido por professores do Impacto, a cada quatro fascículos, é utilizado em palestras de revisão comentadas para mais de seis mil alunos. A instituição, que já é parceira do DIÁRIO, também apoia o projeto. A última etapa do Enem encerra hoje. No entanto, a primeira fase dos processos seletivos da Uepa estão agendadas para o dia 02 de dezembro, a segunda fase da UFPA para o dia 9 do mesmo mês e a última etapa da Ufra apenas para 27 de janeiro. Por isso, a série “Revisão Vestibular 2013” será publicada, gratuitamente, até o próximo dia 06 de dezembro, sempre às quintas-feiras e aos domingos.
O próximo fascículo será sobre Filosofia e haverá ainda uma edição especial abordando somente leituras obrigatórias.
Acima das dificuldades, a superação
Na Escola Estadual Visconde de Souza Franco, ao contrário do que se possa imaginar para uma escola pública, a preparação para o Enem busca democratizar as chances de passar no vestibular oferecendo “aulões de revisão” para os estudantes. “A ideia surgiu da greve do ano passado. Nós buscávamos uma solução que os alunos não ficassem prejudicados por conta do atraso do conteúdo e aumentassem a produtividade. Em algumas aulas, ficam dois professores no auditório trabalhando ao mesmo tempo para abordar a questão da interdisciplinaridade”, informa o professor de geografia Sérgio Saraiva.
Segundo a diretora da Escola Estadual, Marilena Guimarães, as revisões acontecem nos três turnos, para oferecer oportunidades iguais para todos os alunos. “Nós precisamos acabar com esse preconceito de que a escola pública tem qualidade inferior em relação à particular. Os mesmos professores que dão aula aqui trabalham na rede privada. Nós temos biblioteca, laboratórios de informática, auditório e oferecemos as mesmas chances de preparação para quem quiser aproveitá-las. Nossos estudantes são tão capazes de conseguir alcançar as vagas quanto quaisquer outros”, afirma.
Apesar das qualidades visíveis da escola Visconde de Souza Franco, os estudantes do terceiro ano revelam que há deficiências que precisam ser superadas. “Se nós tivéssemos convênio, além da carga horária maior, nós iríamos ver as matérias de todos os anos do Ensino Médio, e não só do terceiro ano. Isso seria o ideal porque o Enem é o Exame Nacional do Ensino Médio, então o conteúdo que é cobrado não é só aquele do último ano”, diz Ana Paula Magno, 16 anos.
Brena Baltazar, 18 anos, deseja ajudar as pessoas se formando em enfermagem. Para ela, um dos principais problemas da escola é a falta de climatização nas salas de aulas. “Nós não temos centrais de ar e, no decorrer da manhã, esquenta muito. Isso acaba cansando e tirando nossa concentração. Além disso, se as aulas fossem em tempo integral, eu não precisaria voltar para casa para estudar. Eu acho que a criação de um convênio aumentaria o tempo que a gente passa na escola e melhoraria nossa preparação”, opina. A aluna diz que complementa as aulas com uma rotina planejada de estudos.
Já Herison de Souza, 18 anos, lembra que o atraso no início das aulas comprometeu o calendário. “O fato de o ano letivo ter começado apenas em abril, devido à greve do ano passado, acabou prejudicando a gente. Não tem como o conteúdo não atrasar”, observa. O estudante reconhece a dificuldade, mas se sente preparado para disputar uma vaga em medicina. O aluno faz cursinho, mas elogia a preparação extra que o Souza Franco oferece a quem não tem recursos para fazer o mesmo.
(Diário do Pará)
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