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Jovens tenazes, fiéis e ambiciosos

Ainda aos 16 anos, a estudante Luane Maciel deu início à carreira profissional. Formada em língua inglesa antes mesmo de concluir o Ensino Médio, ela começou a dar aulas e conseguiu uma vaga de estágio em órgão público federal. A vaga, conquistada após um

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Ainda aos 16 anos, a estudante Luane Maciel deu início à carreira profissional. Formada em língua inglesa antes mesmo de concluir o Ensino Médio, ela começou a dar aulas e conseguiu uma vaga de estágio em órgão público federal. A vaga, conquistada após um processo de seleção que envolvia, entre outras coisas, entrevistas e análises de currículo, foi o pontapé inicial para que ela chegasse, com apenas duas décadas de vida, à coordenação de recrutamento e seleção de estagiários para grandes empresas das regiões Norte e Centro-Oeste. “Os clientes não querem saber se você é jovem, querem saber de resolver seus problemas”.

Com 20 anos de idade, Luane faz parte de uma geração marcada pela invasão excessiva da tecnologia nas ações do cotidiano - e que ainda é taxada de preguiçosa por alguns menos informados. Tendo como grandes características a criatividade, a busca por desafios, capacidade de realização de multitarefas e a escolha de fazerem o que gostam, os jovens da chamada ‘Geração Y’ têm ocupado cada vez mais destaque no mercado, onde trabalham, e muito.

Com uma rotina puxada, Luane é responsável por supervisionar todo o processo de recrutamento desde a seleção até as entrevistas de jovens para vagas de estágio nas três empresas que toma conta: um grande banco, um instituto de pesquisa e uma empresa privada. Coordenadora de duas regiões e com a ajuda de uma assistente e mais dois funcionários, ela precisa ficar atenta ao que acontece em departamentos localizados, inclusive, em outros estados. “Tenho que ter o controle de um estagiário que está em Manaus (AM), por exemplo. Quando ele estiver próximo de terminar o contrato, dois meses antes, eu já vou precisar fazer um novo recrutamento”, explica. “É um trabalho que exige muito da gente”.

Independente do ritmo intenso, Luane vê no trabalho uma das características mais marcantes dos nascidos a partir dos anos 80 – faixa etária que delimita a Geração Y: ela trabalha com o que gosta. “Depois de estagiar no órgão público para o qual fui selecionada, a empresa que fez a seleção me contratou como estagiária deles. Fui aprendendo todo o processo. O meu chefe acompanhou o cumprimento das minhas metas e resultados e fez a proposta de me contratar e de dar essa coordenação”, lembra. “Vou completar um ano nesta coordenação, a responsabilidade aumentou e não tenho do que reclamar. Estou trabalhando dentro da área que eu escolhi para mim, que eu gosto”.

FIDELIDADE

Reforçando a ideia apresentada por Luane, uma pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Administração (FIA) - entidade privada que desenvolve projetos de pesquisa, consultoria e educação em todas as áreas da administração – aponta que 99% dos nascidos entre 1980 e 1993 só ficam envolvidos em ocupações que gostam. Apesar de ter sido baseada em respostas de cerca de 200 jovens de apenas uma cidade brasileira, São Paulo, a pesquisa parece apontar uma qualidade também valorizada por muitos jovens belenenses.

Coordenador do Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia (Nitt) da Universidade do Estado do Pará (UEPA) aos 24 anos, o designer e consultor de inovação e negócios Karan Valente também preza pelas atividades que lhe dão prazer. Mesmo com o cansaço originado por uma carga horária diária de atividades que, segundo ele, alcançam facilmente 12 horas por dia, ele se sente motivado, a cada dia, a fazer o que ele gosta. “Quando a gente trabalha no que gosta de fazer, acorda todo dia com gás para enfrentar a rotina”.

As muitas horas de trabalho, naturalmente, não são consequência apenas do trabalho desenvolvido na universidade. Há sete meses, Karan também optou por empreender. Em abril deste ano, abriu uma empresa de consultoria em inovação e negócios e engordou a estatística dos jovens da Geração Y que pensam em montar seu próprio empreendimento.

EMPREENDEDORES

De acordo uma pesquisa realizada pela agência de recrutamento Cia. de Talentos nas cinco Regiões Brasileiras, 56% dos 46.107 jovens de 17 a 26 anos que responderam aos questionamentos, disseram que pretendem abrir um negócio próprio em algum momento da carreira. A partir da experiência acumulada em dois anos de atuação no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), onde começou a trabalhar com 21 anos, Karan também viu a oportunidade de levar inovação a outras empresas. “O empreendedorismo nasce ou da necessidade ou da oportunidade. No meu caso, foi da oportunidade”, afirma. “No livro ‘Pai rico, pai pobre’ há uma citação que diz que se for para quebrar, que quebre antes dos 30”.

Foi através da empresa que ele também se realizou fazendo o que mais gosta. “A empresa é como se fosse um filho. O empreendedor é movido por realizações e, hoje, eu trabalho nesses dois setores [como servidor e como empreendedor] e sou feliz com o que eu faço”, afirma. “Com 30 anos eu quero já estar rico, mas não posso trabalhar pensando nisso. O que importa é trabalhar com o que se gosta de fazer”.

MERCADO

De acordo com a psicóloga e consultora na área organizacional do trabalho, Danielle Cristo, a própria realidade atual faz com que os jovens ocupem, cada vez mais, lugares de destaque no mercado. Para ela, os jovens também estão investindo mais na própria carreira. “Cada vez mais cedo esses jovens estão entrando no mercado, o que os torna cada vez mais prontos para o mercado”, acredita. “Hoje, o leque de ofertas de especialização é muito maior”.

Segundo ela, apesar do advento dos jovens no mercado em geral, há áreas em que mais jovens têm se destacado. “A carreira jurídica é o sonho de consumo de todo mundo porque o retorno e a visibilidade são grandes. As áreas da administração e do marketing também são as principais”, acredita.
“Hoje, o que se procura na área organizacional é a estrutura para se chegar a um formador de equipes. Alguns jovens têm esse perfil, outros não”.

(Diário do Pará)

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